Os irmãos Wesley e Joesley Batista, controladores do grupo J&F, tornaram-se, desde 2024, proprietários de poços de exploração de petróleo na Venezuela. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo. A atuação do conglomerado brasileiro no setor energético venezuelano ocorre em meio a um cenário de forte instabilidade política e diplomática no país.
Em setembro do ano passado, Joesley Batista esteve com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma tentativa de colaborar com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas negociações relacionadas ao tarifaço imposto ao Brasil. Já em dezembro, o empresário se reuniu com o ditador venezuelano Nicolás Maduro, com o objetivo de discutir uma possível renúncia pacífica do líder chavista.
A articulação, no entanto, não avançou como esperado. No sábado (3), os Estados Unidos realizaram ataques a regiões da Venezuela e capturaram Nicolás Maduro. Ele e a esposa foram levados para Nova York, onde serão julgados sob acusações de narcoterrorismo.
Apesar de se saber que os negócios dos irmãos Batista na Venezuela envolvem a área de energia, detalhes mais específicos permanecem desconhecidos. Telegramas diplomáticos trocados entre a embaixada do Brasil em Caracas e o Itamaraty, que mencionam os empresários, foram colocados sob sigilo, conforme revelou a jornalista Malu Gaspar, de O Globo.
A reunião de Joesley com Trump, realizada à margem do governo brasileiro, teve como foco a tentativa de amenizar as sobretaxas aplicadas aos produtos brasileiros e retomar o diálogo bilateral entre Brasil e Estados Unidos.
A atuação de Joesley Batista também deixou marcas profundas na política brasileira. Em 2017, no contexto das investigações da Lava Jato, o empresário firmou um acordo de delação premiada e, por iniciativa própria, gravou uma conversa com o então presidente Michel Temer (MDB), fora da agenda oficial. O encontro resultou na célebre frase “tem de manter isso aí, viu”, dita por Temer após Joesley mencionar o pagamento pelo silêncio do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha.
Cunha, que havia conduzido o impeachment de Dilma Rousseff (PT) no ano anterior, acabou preso no âmbito da Lava Jato. O Supremo Tribunal Federal abriu inquérito contra Michel Temer por corrupção passiva, obstrução da Justiça e organização criminosa, mas o Congresso Nacional acabou barrando o avanço do processo.
No mesmo período, Joesley também gravou o então senador Aécio Neves (PSDB-MG), derrotado por pequena margem na eleição presidencial de 2014 e visto como potencial candidato em 2018. O tucano solicitava 550 mil euros — cerca de R$ 2 milhões à época — para custear advogados em processos ligados à Lava Jato. O escândalo comprometeu definitivamente a carreira política de Aécio e contribuiu para o enfraquecimento do PSDB, abrindo espaço para a eleição de Jair Bolsonaro em 2018.
Joesley e Wesley Batista são responsáveis pela internacionalização da JBS, empresa fundada em Goiás por José Batista Sobrinho, pai dos irmãos. Atualmente, a holding J&F controla marcas e empresas em diversos setores, como Swift, Seara e Friboi (alimentos), PicPay e Banco Original (financeiro), Âmbar (energia), Canal Rural (comunicação), Eldorado (papel e celulose), Flora (limpeza e cosméticos) e LHG (mineração).
Considerado um dos homens mais ricos do Brasil, Joesley Batista nasceu em Formosa (GO) e tem 53 anos. É casado com a ex-apresentadora da Rede Bandeirantes Ticiana Villas Boas. Em 2018, o casamento enfrentou crise após o envio acidental de áudios à polícia, que incluíam relatos de casos extraconjugais e indícios de outros crimes ligados ao Ministério da Agricultura — episódio que quase levou à anulação de sua delação premiada.
Joesley chegou a ser preso por seis meses entre 2017 e 2018, além de ter passado mais três dias detido posteriormente. Desde então, passou a adotar um perfil mais discreto no Brasil, enquanto ampliava sua atuação internacional. Nesse período, aproximou-se de Donald Trump e viu seus negócios continuarem em expansão.
Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira
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