Mesmo colhendo uma safra histórica de 345 milhões de toneladas de grãos em 2025, o agronegócio brasileiro amarga prejuízos que poderiam ser evitados. O problema está na falta de capacidade para armazenar a produção: apenas 62% dos grãos têm espaço garantido em silos e armazéns, deixando quase 40% da colheita exposta e forçando produtores a vender rapidamente a preços baixos.
Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), apenas 16% dos agricultores possuem silos dentro das propriedades. Essa limitação reduz o poder de negociação e favorece grandes cooperativas e tradings, que concentram a maior parte da infraestrutura em áreas urbanas.
Comparativo internacional
Enquanto no Brasil o déficit de silos compromete o lucro do produtor, outros países apresentam realidades muito mais favoráveis:
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Estados Unidos: capacidade de armazenamento de 680 milhões de toneladas, 20% acima da produção anual;
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Canadá: até 80% da safra pode ser guardada nas próprias fazendas;
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União Europeia: cerca de 50%;
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Argentina: 40%.
Para o presidente da Conab, Edegar Pretto, o gargalo está na falta de investimentos consistentes em infraestrutura. “Manter um silo envolve custos altos com energia, mão de obra e controle fitossanitário. Muitos produtores não conseguem bancar esse investimento e acabam reféns do mercado”, afirma.
Além da venda forçada a preços menores, o setor enfrenta gastos adicionais com transporte e padronização dos grãos, o que diminui ainda mais a margem de lucro.
Impacto em Goiás
Goiás, um dos maiores produtores de grãos do país, também sente o reflexo dessa realidade. Em várias regiões, agricultores têm vendido parte da produção logo após a colheita, perdendo a chance de negociar melhores valores em períodos de entressafra.
Produtores goianos destacam que a construção de silos no campo poderia transformar a realidade do agronegócio local, garantindo maior autonomia e fortalecendo a economia regional.
Redação
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