A crise humanitária na Faixa de Gaza atingiu um patamar alarmante. Com a escassez de alimentos e o colapso da infraestrutura básica, relatos apontam que cães famintos têm se tornado uma ameaça à população local.
Segundo moradores, os animais passaram a se alimentar de cadáveres deixados pelas ruas e até atacar gatos e pessoas em busca de sobrevivência. “À noite, ouvimos os cães a uivar. Tornaram-se selvagens de tanto comerem cadáveres. O seu ladrar mudou, tornando-se feroz”, relatou Majdi Abu Hamdi, pai de quatro filhos, em entrevista à CNN.
A situação reflete o agravamento da fome. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 500 mil pessoas estão em estado de fome catastrófica em Gaza, vivendo sob risco extremo de morte. O levantamento foi feito pela Classificação Integrada de Fases de Segurança Alimentar (IPC), que colocou a região no nível 5 – o mais grave da escala.
Essa classificação é raríssima. Desde a criação do índice em 2004, apenas quatro crises humanitárias chegaram a esse ponto: Somália (2011), Sudão do Sul (2017 e 2020) e Sudão (2024). Agora, Gaza se junta a essa lista sombria.
Enquanto organismos internacionais acusam Israel de usar a fome como arma de guerra, o governo israelense nega e chama os relatórios de “mentira descarada”. Ainda assim, os números confirmam que a população enfrenta não apenas bombardeios e deslocamentos forçados, mas também a ausência total de alimentos, saneamento e segurança.
Moradores relatam que evitam sair de casa à noite com medo dos ataques de animais famintos. A fome, que antes era uma ameaça silenciosa, agora se reflete em cenas de horror no cotidiano: ruas onde cães e gatos brigam por restos e onde pessoas lutam desesperadamente pela sobrevivência.
Redação
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