Uma operação da Polícia Civil de Goiás expôs um cenário de violação de direitos humanos no coração da capital. Na última quinta-feira (15), agentes cumpriram seis mandados de prisão e dois de busca e apreensão em uma clínica psiquiátrica de Goiânia, após denúncias de sequestro, cárcere privado, lesão corporal e formação de associação criminosa.
Durante a ação, os policiais encontraram cerca de 40 mulheres internadas, muitas afirmando que estavam ali contra a própria vontade, sem qualquer autorização judicial ou laudo médico que justificasse a medida.
O caso que detonou a investigação envolve uma mulher internada compulsoriamente pela própria mãe, que queria impedir sua participação em uma audiência judicial. Ela ficou 24 horas privada de liberdade, até ser libertada com apoio do marido, que acionou a polícia e uma advogada.
Entre os presos estão o proprietário da clínica, Leonardo Carneiro, seu irmão Christiano Carneiro, a enfermeira e gerente Rosane Oliveira e a funcionária Andiara Costa. Segundo a investigação, Christiano cobrava R$ 500 para realizar a “captura” das pacientes. A mãe e a irmã da vítima também serão investigadas por sequestro e furto, já que teriam levado um computador da residência da paciente.
Apesar das graves denúncias, a direção da clínica afirmou à imprensa que possui licença legal de funcionamento. A Polícia Civil, no entanto, reforça que as internações não seguiram os trâmites previstos na Lei nº 10.216/2001, que exige decisão judicial ou, no caso de internação involuntária, comunicação ao Ministério Público em até 72 horas.
A corporação segue investigando e não descarta que novas vítimas sejam identificadas. A denúncia reacende o debate sobre o uso indevido da internação psiquiátrica como ferramenta de controle e coerção, além de apontar para um possível esquema de exploração financeira de pacientes e famílias.
O Goiás da Gente acompanha o caso e trará atualizações sobre o andamento das investigações e os desdobramentos judiciais.
Redação
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