quarta-feira , 21 outubro 2026

Filha de Edson Fachin, professora da UFPR, sofre ataque em Curitiba

A professora Melina Fachin, diretora do Setor de Ciências Jurídicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e filha do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi alvo de uma agressão na última sexta-feira (12). Ao deixar a instituição, em Curitiba, Melina foi atacada por um homem não identificado, que a chamou de “lixo comunista” e cuspiu nela.

O episódio foi relatado nas redes sociais pelo marido da professora, o advogado Marcos Gonçalves, que classificou a ação como uma “agressão covarde”. Segundo ele, o autor era um homem branco, mas sem outros detalhes revelados. Melina ainda não se manifestou publicamente sobre o caso. O STF foi contatado, mas não respondeu até o fechamento desta edição.

“Este não é um caso isolado de violência física e política, nem tampouco de violência contra a mulher. Esta violência é fruto da irresponsabilidade e da vilania de todos aqueles que se alinharam com o discurso de ódio propalado desde o esgoto do radicalismo de extrema direita, que pretende eliminar tudo que lhe é distinto”, escreveu Gonçalves.

O advogado relacionou o ataque ao episódio ocorrido no dia 9 de setembro, quando a UFPR cancelou um evento organizado por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), intitulado “Como o STF tem alterado a interpretação constitucional?”. Na ocasião, a entrada de convidados — entre eles o vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo) e o advogado Jeffrey Chiquini — foi alvo de resistência de estudantes, o que gerou discussões e trocas de ofensas.

A universidade destacou em nota que a Polícia Militar entrou no campus sem solicitação institucional e “atuou de forma desproporcional”. Já o Partido Acadêmico Renovador (PAR), grupo de estudantes da Faculdade de Direito, afirmou que os alunos mantiveram uma conduta pacífica e repudiou a abordagem policial, classificando-a como “barbárie”.

Após a agressão contra Melina Fachin, instituições e entidades manifestaram solidariedade. O Centro de Estudos da Constituição da UFPR repudiou o ato, descrevendo-o como tentativa de intimidação que fere valores de liberdade e democracia.

O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), junto à Comissão Nacional de Direitos Humanos, também divulgou nota. “A entidade repudia veementemente o episódio, que afronta valores essenciais da vida democrática. A democracia exige o respeito às liberdades, ao pluralismo e à convivência pacífica, sobretudo no espaço acadêmico, que deve ser preservado como ambiente de diálogo e de construção do conhecimento — jamais como palco para violência, intolerância ou tentativas de silenciamento”, destacou o comunicado.

O episódio ocorre em meio ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo STF. No dia 11 de setembro, a Primeira Turma condenou Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão pelos crimes de golpe de Estado e outras quatro acusações. O ministro Edson Fachin, pai de Melina, não integra esse colegiado, mas assume a presidência da Corte no fim do mês.

Redação

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