quarta-feira , 21 outubro 2026

Brasil pune golpe de Estado com penas brandas e anistia tentativas fracassadas

Enquanto em diversos países o crime de golpe de Estado pode levar os envolvidos à prisão perpétua ou a décadas atrás das grades, no Brasil a punição máxima prevista é de 12 anos. Além disso, a história mostra que, em pelo menos seis episódios de tentativas frustradas, o país acabou concedendo anistia aos articuladores.

Levantamentos recentes mostram que, em democracias como Estados Unidos, Alemanha, França, Reino Unido, México e Canadá, não apenas os atos consumados de golpe são punidos com rigor, mas também os atos preparatórios, como conspiração e incitação. No Brasil, a lei só prevê sanções quando a execução do golpe já está em curso, o que reduz a eficácia do sistema de prevenção.

Há exceções: a Itália, por exemplo, também aplica penas mais brandas. Mas, no geral, o Brasil aparece na contramão das legislações mais rígidas.

O debate ganhou força após a recente condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ele recebeu uma pena somada de 27 anos e 3 meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de permanecer no poder mesmo após a derrota nas urnas de 2022.

Apesar do número expressivo, apenas parte dessa pena está ligada ao crime de golpe de Estado, limitado a 12 anos pela lei brasileira. O restante se refere a outras infrações, como associação criminosa e incitação.

O histórico brasileiro mostra tolerância com tentativas de rupturas democráticas. Episódios como as tentativas de derrubar Artur Bernardes (1924) e Juscelino Kubitschek (1956 e 1959) acabaram terminando em anistia para os envolvidos. Esse padrão se repetiu em todos os seis golpes fracassados da história republicana.

Hoje, o Congresso discute novamente a possibilidade de anistiar envolvidos no suposto golpe de 2022, reacendendo o debate sobre até que ponto a democracia brasileira está disposta a se proteger.

Especialistas defendem a atualização da legislação, ampliando a tipificação para incluir atos de preparação e conspiração. Outro ponto em discussão é adotar modelos semelhantes ao da Argentina, onde até a concessão de poderes extraordinários ao Executivo pelo Congresso pode configurar um “golpe branco”.

Redação

Check Also

Encontro internacional fortalece imagem de Lula, aponta novo levantamento

Uma pesquisa divulgada nesta semana revelou que parte significativa dos brasileiros avalia que o presidente …

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *