quarta-feira , 21 outubro 2026

Bolsonaro rejeitou pedido de asilo na Argentina, diz advogado

O ex-presidente Jair Bolsonaro teria recebido a sugestão de pedir asilo político na Argentina, mas recusou a ideia, segundo seu advogado Paulo da Cunha Bueno. A declaração ocorre após a Polícia Federal encontrar em seu celular uma minuta de carta endereçada ao presidente argentino Javier Milei, na qual Bolsonaro mencionava “perseguição política” e risco de prisão. O documento, datado de 10 de fevereiro de 2024, foi localizado dois dias depois da deflagração da Operação Tempus Veritatis.

Defesa nega intenção de fuga

De acordo com Cunha Bueno, a minuta não passou de uma sugestão descartada pelo ex-presidente. “A fuga nunca foi opção. Bolsonaro não apenas rechaçou essa proposta como também compareceu a todos os atos do processo, inclusive quando não tinha obrigação de estar presente”, afirmou o advogado.

A defesa insiste que não houve qualquer tentativa de asilo, destacando que Bolsonaro “permaneceu no Brasil enfrentando as acusações” e que a minuta teria sido uma iniciativa isolada de apoiadores próximos.

STF pressiona por respostas

O caso, porém, ganhou novo peso político e jurídico. O ministro Alexandre de Moraes, relator das investigações no Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que Bolsonaro explique em até 48 horas a origem e as circunstâncias da minuta.

A descoberta do rascunho de asilo também reforçou a acusação de que Bolsonaro e seu filho Eduardo atuaram para obstruir investigações, buscando apoio político externo e alternativas para escapar da Justiça brasileira.

Governo argentino nega pedido oficial

Em Buenos Aires, a gestão de Javier Milei negou qualquer pedido formal de asilo. A negativa indica que o documento encontrado pela PF nunca chegou a ser protocolado, embora sua mera existência já seja considerada grave pelo STF.

Contexto político

A revelação chega em um momento delicado, a poucas semanas do julgamento que deve ocorrer entre os dias 2 e 12 de setembro. Nesse processo, Bolsonaro e aliados enfrentam acusações ligadas à tentativa de desacreditar o sistema eleitoral e conspirar contra o resultado das eleições de 2022.

Enquanto a defesa busca afastar a ideia de fuga, a Procuradoria e a PF sustentam que a minuta é prova de que o ex-presidente cogitou saídas paralelas para evitar eventual prisão.

Redação

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