quarta-feira , 21 outubro 2026

Bolsonaro é julgado por crimes previstos em lei que ele sancionou

Nesta semana, um episódio inusitado marcou o cenário político e jurídico brasileiro: o ex-presidente Jair Bolsonaro está sendo julgado no Supremo Tribunal Federal (STF) por crimes previstos em uma lei que ele mesmo sancionou em 2021.

A ação penal em andamento envolve não apenas Bolsonaro, mas também ex-ministros e aliados próximos, acusados de participação na chamada trama golpista que tentou impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva em 2023.

Em 2021, ainda no Palácio do Planalto, Bolsonaro sancionou uma lei que substituiu a antiga Lei de Segurança Nacional e introduziu no Código Penal dois crimes:

  • Abolição violenta do Estado Democrático de Direito (pena de 4 a 8 anos);

  • Golpe de Estado (pena de 4 a 12 anos).

Agora, ironicamente, o ex-presidente é acusado justamente de ter violado esses dispositivos.

Segundo a Procuradoria-Geral da República, Bolsonaro e outros sete réus teriam agido para fragilizar o sistema democrático, questionar o resultado das eleições e preparar medidas para manter o então presidente no poder, mesmo contra a Constituição.

Além dos dois crimes previstos na lei de sua autoria, o processo inclui acusações de:

  • Liderança de organização criminosa armada;

  • Dano qualificado contra patrimônio da União;

  • Deterioração de patrimônio tombado durante os ataques de 8 de janeiro de 2023.

Entre os réus também estão nomes como Anderson Torres, Mauro Cid, Walter Braga Netto e Augusto Heleno.

O julgamento foi retomado nesta terça-feira (9/09) pela Primeira Turma do STF. Caso seja condenado, Bolsonaro já se prepara para pedir prisão domiciliar, medida que pode ser analisada ainda nesta semana.

Hoje, o ex-presidente cumpre restrições severas: tornozeleira eletrônica, proibição de uso de redes sociais e isolamento domiciliar.

O processo contra Bolsonaro expõe uma reviravolta simbólica: o ex-presidente, que sempre se apresentou como defensor da lei e da ordem, agora responde por crimes tipificados em um texto legal que leva sua assinatura.

Para analistas, esse julgamento pode se tornar um divisor de águas na política brasileira, testando a força das instituições e a capacidade da Justiça de responsabilizar figuras do mais alto escalão.

Redação

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