A avaliação negativa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva permanece em 40%, segundo a mais recente pesquisa do Datafolha. Já a avaliação positiva apresentou queda, passando de 32% para 29% em comparação com o levantamento anterior, realizado no início de março.
Outros 29% dos entrevistados classificaram a gestão como regular, índice que era de 26% na pesquisa anterior. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Quando questionados sobre o desempenho pessoal de Lula na Presidência — cargo que ocupa pela terceira vez —, os números também indicam leve deterioração. A reprovação subiu de 49% para 51%, enquanto a aprovação caiu de 47% para 45%.
Mesmo dentro da margem de erro, a tendência sinaliza um desgaste gradual do governo. Em dezembro, o cenário era mais favorável ao Planalto, impulsionado por medidas de apelo nacionalista e movimentações internacionais, como a aproximação com Donald Trump em meio a tensões comerciais.
Desde então, o governo enfrenta uma sequência de desafios. A crise envolvendo o Banco Master, embora mais associada a figuras da oposição, impacta o ambiente político geral. Além disso, a articulação do governo com o Supremo Tribunal Federal, em defesa das instituições democráticas, também tem gerado desgaste, especialmente após o envolvimento de integrantes da corte em controvérsias relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Outro fator relevante é o impacto econômico. A queda mais acentuada na avaliação positiva foi registrada entre brasileiros com renda entre 5 e 10 salários mínimos. O aumento do endividamento das famílias e o crédito mais restrito ajudam a explicar essa percepção negativa, sobretudo entre os que têm maior acesso à informação econômica.
Além do cenário interno, fatores externos também influenciam. A instabilidade internacional, como a guerra no Irã, pressiona os preços dos combustíveis e pode reacender a inflação, mantendo os juros elevados — o que afeta diretamente o orçamento das famílias.
A pesquisa mostra variações claras entre diferentes grupos:
- Avaliação mais positiva: idosos (36%), menos escolarizados (43%) e moradores do Nordeste (41%)
- Avaliação mais negativa: mais escolarizados (49%), moradores do Sul (49%), evangélicos (52%) e pessoas com renda acima de 10 salários mínimos (58%)
Apesar do desgaste, Lula apresenta desempenho melhor do que o ex-presidente Jair Bolsonaro no mesmo período de governo. Na época, Bolsonaro registrava 46% de avaliação ruim ou péssima, 28% regular e 25% positiva.
A pesquisa foi realizada entre os dias 7 e 9 de abril, com 2.004 entrevistados em 137 cidades, e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-03770/2026.
O cenário indica estabilidade com viés de queda na popularidade do governo, em um momento sensível de pré-campanha eleitoral, marcado por maior polarização e disputa acirrada.
Redação: Integração News
integracaonews.com.br Portal de Notícias