quarta-feira , 21 outubro 2026

PF mira Silas Malafaia: celular apreendido, passaporte cancelado e suspeita de conluio com Bolsonaro

O pastor Silas Malafaia se tornou alvo de uma nova operação da Polícia Federal nesta quarta-feira (20/8), no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o religioso teve o celular apreendido, o passaporte cancelado e agora está proibido de sair do país, além de manter contato com o ex-presidente Jair Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro.

A decisão faz parte do inquérito que investiga Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e aliados por suposta tentativa de obstrução das investigações em andamento no Supremo. Segundo a Polícia Federal, há fortes indícios de que Malafaia tenha atuado em conluio com os dois, participando de estratégias de pressão contra ministros da Corte.

O despacho de Moraes autorizou ainda a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico do pastor, permitindo aos investigadores acesso irrestrito às informações obtidas nos aparelhos apreendidos.

Relatórios apontam que, desde 9 de julho deste ano, diálogos no WhatsApp entre Bolsonaro e Malafaia evidenciam uma articulação para coagir membros do Judiciário. As mensagens tratariam de narrativas falsas, estratégias de pressão e até tentativas de influenciar decisões do STF por meio de ações coordenadas.

Para os investigadores, o objetivo da empreitada criminosa era claro: blindar o grupo de aliados políticos de decisões que poderiam contrariar seus interesses. Entre as pautas discutidas, estariam temas como anistia, tarifas internacionais e medidas legislativas que, se bem articuladas, serviriam como ferramenta de barganha política.

A reação foi imediata no Congresso. O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder da bancada evangélica, classificou a operação como “perseguição religiosa” e defendeu Malafaia publicamente.

Já a Procuradoria-Geral da República reforçou que a medida não tem relação com religião, mas com fortes indícios de participação em uma organização criminosa voltada a manipular a opinião pública e intimidar autoridades do Judiciário.

Com o passaporte cancelado, Malafaia está impedido de deixar o Brasil e seguirá monitorado de perto pela PF. O caso agora deve avançar com novas diligências, enquanto o STF analisa as provas obtidas para definir os próximos passos do processo.

Redação

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