Em meio às articulações para a definição das candidaturas da direita em Goiás, um racha interno no PL entre o deputado federal Gustavo Gayer e o vereador por Goiânia Major Victor Hugo foi contornado nesta semana. Após quase um ano de afastamento, marcado por troca de críticas públicas, os dois chegaram a um acordo para encerrar a disputa interna por espaço dentro do partido.
Nos últimos dias, Gayer e Victor Hugo definiram que a candidatura ao Senado ficará com o deputado federal, enquanto o vereador disputará uma vaga na Câmara dos Deputados. O entendimento foi firmado em conversa realizada na semana passada e tornou-se público após os dois se encontrarem durante a caminhada organizada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que reúne lideranças do bolsonarismo em um trajeto de cerca de 240 quilômetros até Brasília.
“Eu decidi ir para deputado federal e ele vai para o Senado. Nossos objetivos não se chocam mais, então não faz sentido manter conflito. Na minha opinião, nunca houve razão, mas na política essas trombadas acontecem”, afirmou Major Victor Hugo.
O acordo ocorre após um histórico de atritos entre os dois. O desentendimento teve início quando Victor Hugo declarou que o PL poderia apoiar a candidatura do vice-governador Daniel Vilela (MDB), indicado como sucessor pelo governador Ronaldo Caiado (União Brasil). Meses antes, o vereador havia articulado um encontro entre Vilela e o ex-presidente Jair Bolsonaro, com quem mantinha proximidade desde o período em que foi líder do governo na Câmara, em 2019.
À época, Gustavo Gayer reagiu de forma dura às declarações do correligionário, afirmando que o partido “não iria para frente com um câncer interno como esse” e chegando a declarar publicamente que Victor Hugo não seria candidato ao Senado em Goiás.
Em resposta, o vereador utilizou as redes sociais para divulgar uma imagem de uma videochamada com Jair Bolsonaro, reforçando sua relação com o ex-presidente e tentando rebater rumores de que teria sido repreendido após a escalada da crise interna.
A movimentação gerou desconforto entre integrantes do PL ligados a Gayer, que defendem candidatura própria ao governo de Goiás. O grupo tem como principal nome o senador Wilder Morais, presidente do diretório estadual da legenda. Em novembro, após reunião marcada por divergências internas, o partido decidiu lançar Wilder como pré-candidato ao Palácio das Esmeraldas.
Como parte da estratégia para fortalecer o nome do senador, o PL realizou em dezembro o projeto “Rota 22”, uma série de encontros com correligionários e apoiadores em diferentes regiões do estado. Integrantes do partido mais próximos do MDB avaliam, no entanto, que o lançamento da candidatura também serve como instrumento de negociação futura com Daniel Vilela.
A possibilidade de aliança foi mencionada pelo governador Ronaldo Caiado em entrevista recente. “O PL deve apoiar o Vilela. Tenho trabalhado com esse objetivo para reagrupar forças com o mesmo eleitorado em Goiás”, afirmou. Caiado também declarou apoio a Gustavo Gayer para o Senado, ressaltando que a definição final depende da decisão da executiva nacional do PL.
De olho em projeção nacional, Caiado tem buscado aproximar-se do eleitorado bolsonarista com um discurso centrado na segurança pública, tema recorrente em peças publicitárias recentes. Na corrida presidencial, porém, o governador deve enfrentar o senador Flávio Bolsonaro (PL), apontado como sucessor político de Jair Bolsonaro e que tende a ter palanque próprio em Goiás, com apoio de Wilder Morais.
Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira
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