Investigações da Polícia Civil de Goiás revelaram um esquema de venda de vagas no Sistema Único de Saúde, em que pacientes pagavam entre R$ 1,2 mil e R$ 5 mil para furar filas de exames e cirurgias, principalmente procedimentos plásticos. Nesta terça-feira (7), a corporação cumpriu seis mandados de prisão temporária no âmbito da Operação “Mercancia Torpe”.
De acordo com as apurações, as fraudes beneficiaram pacientes em Goiânia e em outras oito cidades do interior goiano. O foco principal do esquema eram cirurgias plásticas eletivas e estéticas, incluindo casos em que os pacientes não atendiam aos critérios exigidos pelo sistema público.
A operação é um desdobramento de investigações iniciadas em 2023, conduzidas pela Delegacia Estadual de Combate à Corrupção. O esquema consistia na substituição de nomes na fila de espera por pessoas que efetuavam pagamento para antecipar o atendimento.
Segundo o delegado Danilo Victor Nunes, a posição na fila era alterada conforme o valor pago, prejudicando pacientes que aguardavam atendimento de forma regular. A prática também sobrecarregava os sistemas Servir (estadual) e Sisreg (municipal), responsáveis pela regulação de atendimentos.
Além das prisões, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão em municípios como Aparecida de Goiânia, Senador Canedo e Catalão, entre outros. A Justiça também determinou cinco afastamentos de servidores públicos e 24 quebras de sigilos bancário e fiscal.
Os investigados — Vanilson Pereira dos Santos Filho, Maria Dilma Cruz, Conrado Victor de Portugal Silva, Uanderson Vaz de Souza, Josilane Luzia da Silva e Carla Sandra Boracho da Silva — poderão responder por crimes como falsidade ideológica, inserção de dados falsos em sistema de informação, corrupção ativa e passiva, além de associação criminosa.
A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás informou, em nota, que as irregularidades foram identificadas a partir de monitoramento interno do sistema de regulação. A pasta destacou que colaborou com as investigações e afirmou que não há envolvimento de servidores da regulação estadual no esquema.
As investigações também alcançam pacientes beneficiados, que serão analisados conforme o grau de conhecimento sobre a fraude.
Atualmente, a fila de espera por consultas no estado soma cerca de 145,5 mil pessoas, com tempo médio de espera de quase 80 dias. Já para cirurgias, são 23,3 mil pacientes, com média de 84 dias — podendo chegar a até 184 dias em especialidades como neurologia, segundo dados da SES-GO.
O caso evidencia falhas no sistema e reforça o impacto direto da corrupção sobre milhares de pacientes que aguardam atendimento pelo SUS de forma regular.
Redação: Integração News
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