Servidor público, apaixonado por motos e de forte fé religiosa, Manoel Astrogildo, de 35 anos, tornou-se o segundo paciente em Goiás a receber o tratamento com polilaminina — substância ainda em fase de estudos clínicos e considerada promissora na recuperação de lesões medulares. O procedimento foi realizado na última quinta-feira (26), no Hospital Estadual de Itumbiara São Marcos (HEI).
Morador de Itumbiara, Manoel sofreu uma fratura na coluna cervical (C5) após um acidente ocorrido em 10 de novembro de 2025, enquanto retornava de Goiânia a trabalho. Ele atua como motorista da prefeitura, transportando pacientes. Desde então, perdeu os movimentos e a sensibilidade dos ombros para baixo.
De acordo com a família, o servidor está internado desde o acidente e deve receber alta nos próximos dias, iniciando uma fase intensa de reabilitação. Diante dos custos elevados com terapias, os familiares organizaram uma campanha para arrecadar R$ 50 mil. Até a tarde desta terça-feira (31), pouco mais de R$ 2 mil haviam sido arrecadados.
“Agora ele precisa de terapias intensas para potencializar os efeitos do tratamento. Os custos são altos e contamos com a ajuda de todos”, informou a família.
Segundo o médico Alan Anderson Fernandes Oliveira, diretor técnico do Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), o pós-operatório é uma etapa fundamental no processo. Apesar do otimismo, ele reforça que o tratamento ainda não é aprovado. “Estamos na fase 1, que avalia a segurança. Só depois vêm as etapas que analisam a eficácia”, explicou.
A namorada de Manoel, a farmacêutica Camila Ferreira do Nascimento, afirma que o tratamento trouxe esperança à família. “Estamos saindo da escuridão. Já percebemos melhora na parte respiratória”, relatou. Foi ela quem buscou informações sobre o tratamento e conseguiu, por meio da Justiça, o acesso à terapia experimental.
A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) informou ao Integração News que os casos registrados no estado ocorreram fora dos protocolos da rede pública, por meio de uso compassivo autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. A pasta destacou que a polilaminina ainda está na fase inicial de pesquisa clínica, sem comprovação de eficácia e com riscos associados.
O primeiro paciente goiano a receber o tratamento foi o delegado Leonardo Sanches, que ficou tetraplégico após um acidente em 2025. Ele segue em reabilitação após o procedimento realizado no Crer, em Goiânia.
A polilaminina é um composto produzido em laboratório a partir da laminina, proteína essencial no desenvolvimento celular. A proposta é que a substância funcione como uma “ponte” para reconectar neurônios lesionados na medula espinhal, auxiliando na recuperação motora.
Apesar dos resultados preliminares considerados animadores, especialistas reforçam que os estudos ainda são limitados e envolvem poucos pacientes. Não há comprovação científica de eficácia ampla, nem garantia de recuperação total.
A pesquisa é liderada pela cientista Tatiana Sampaio, e segue em fase inicial. A expectativa da comunidade médica é alta, mas o caminho até a aprovação definitiva do tratamento ainda exige estudos mais amplos e rigorosos.
Enquanto isso, Manoel segue em recuperação, cercado pela família, pela fé e pela esperança de retomar, ao menos em parte, sua qualidade de vida.
Redação: Integração News
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