sábado , 7 março 2026

PF apura menções a Lulinha em investigação sobre desvios no INSS

A Polícia Federal investiga citações feitas a Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no âmbito das apurações sobre supostos desvios em aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Uma das linhas de investigação analisadas pela PF é a possibilidade de que Lulinha tenha atuado como sócio oculto do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. As informações constam em relatório encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do inquérito.

Menções indiretas ao filho do presidente por investigados já haviam surgido em dezembro, durante uma das fases da Operação Sem Desconto. À época, segundo fontes com conhecimento das apurações, essas referências já vinham sendo analisadas pelos investigadores.

Lulinha não constituiu advogado específico para esse caso e afirma que não é investigado. Sua defesa, que o representa em outros processos, nega qualquer irregularidade e informou que pedirá à Polícia Federal a abertura de investigação para apurar vazamentos de documentos sigilosos à imprensa.

A informação sobre as citações foi divulgada inicialmente pelo Integração News e confirmada por outros veículos de imprensa.

“Esses vazamentos são graves. É um ponto fora da curva. O Fábio não é alvo direto ou indireto de nenhuma investigação. Não tem relação direta ou indireta com nenhum dos fatos relacionados ao INSS. Qualquer linha de investigação é fruto de pirotecnia e imaginação criativa”, afirmou o advogado Marco Aurélio de Carvalho, que já atuou na defesa de Lulinha.

Segundo ele, há confiança na atuação da Polícia Federal, mas é necessário apurar o que classificou como “vazamento criminoso”.

Na operação deflagrada em dezembro, a PF investigava um pagamento de R$ 300 mil autorizado por Antunes a uma empresária amiga de Lulinha. No total, ela teria recebido R$ 1,5 milhão do lobista, em parcelas.

Mensagens apreendidas indicam que o Careca do INSS solicitou a um operador financeiro o pagamento de R$ 300 mil a uma empresa registrada em nome de Roberta Luchsinger, a RL Consultoria e Intermediações. Ao ser questionado sobre o destinatário, Antunes respondeu que seria “o filho do rapaz”, o que levou a PF a investigar se a referência seria a Fábio Luís Lula da Silva.

A empresa RL Consultoria tem como sócia Roberta Moreira Luchsinger, que foi alvo de busca e apreensão no bairro de Higienópolis, em São Paulo, e é apontada como próxima ao filho do presidente.

De acordo com a PF, a empresa Brasília Consultoria Empresarial Ltda., responsável pelos repasses à RL Consultoria, seria uma empresa de fachada ligada ao grupo de Antônio Carlos Camilo Antunes. Os investigadores afirmam ainda que os pagamentos teriam sido justificados por serviços que não foram efetivamente prestados.

A defesa de Roberta Luchsinger nega qualquer ligação dos valores com o INSS e afirma que os recursos estariam relacionados a um projeto envolvendo o setor de canabidiol. Segundo nota, a empresária atua na prospecção e intermediação de negócios e teria sido procurada pela Brasília Consultoria para tratar da regulação do mercado de empresas de canabidiol.

A defesa sustenta que as tratativas não avançaram e ocorreram antes das revelações sobre os supostos desvios no INSS.

Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira

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