sábado , 7 março 2026

Tarcísio descarta o Planalto, acelera obras e mira reeleição ao governo de São Paulo

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), encerra 2025 reforçando internamente que disputará a reeleição em 2026 e cobrando celeridade na conclusão de projetos estratégicos. A sinalização ocorre enquanto parte de seus principais aliados ainda aposta em uma possível reviravolta que o leve a disputar a Presidência da República.

Desde o lançamento da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), movimento que surpreendeu Tarcísio, sua equipe e dirigentes de partidos aliados, o governador tem reiterado a interlocutores que nunca assumiu publicamente a intenção de disputar o Palácio do Planalto. Segundo aliados, ele tem reafirmado que seu foco está na reeleição ao governo paulista.

Tarcísio entrará em férias por 17 dias a partir desta sexta-feira (26), afastando-se das atividades até 11 de janeiro. O período de descanso ocorre após uma intensa agenda de compromissos públicos diários na capital e na Grande São Paulo, regiões onde teve desempenho eleitoral mais fraco no último pleito, com entregas de obras e renovação de promessas.

Durante sua ausência, o comando do governo estadual ficará com o vice-governador Felicio Ramuth (PSD). De acordo com aliados, Ramuth é visto como o nome preferencial para uma eventual sucessão, caso Tarcísio mude de planos e concorra à Presidência, ou para permanecer como vice na chapa de reeleição.

Nos dias 20 e 23 de dezembro, o governador participou de eventos de entrega de moradias populares no litoral paulista e em Guarulhos, além de inaugurar um viaduto estaiado no ABC, parte do trecho norte do Rodoanel e o piscinão Jaboticabal, obra destinada à contenção de enchentes entre a capital e os municípios de São Caetano do Sul e São Bernardo do Campo.

Em todas as agendas, Tarcísio interagiu com operários e apoiadores, posou para fotos e fez discursos com promessas de novas linhas de metrô. Em especial nas entregas do Rodoanel e do piscinão, destacou que seu governo “combate a corrupção”, associando atrasos em obras à Operação Lava Jato e a adversários ligados ao PT.

O governo estadual afirma ter entregue 80 mil unidades habitacionais por meio do programa Casa Paulista, considerando imóveis que receberam aporte estadual de cerca de R$ 10 mil. No caso do Rodoanel, Tarcísio deu continuidade a um edital da gestão anterior e entregou parte do trecho norte. Já o piscinão Jaboticabal também foi iniciado antes de sua gestão, e seus atrasos chegaram a ser atribuídos pelo ex-governador João Doria à administração Bolsonaro, da qual Tarcísio fez parte —informações que não foram mencionadas nos discursos oficiais.

Aliados ouvidos pela Folha afirmam que o governador já planejava um fim de ano marcado por entregas, mas avaliam que o ritmo se intensificou após o lançamento da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, reforçando o foco na reeleição estadual.

A ordem para acelerar a conclusão de projetos foi direcionada principalmente a secretários que devem deixar os cargos para disputar vagas no Legislativo em 2026. A intenção de Tarcísio é que essas saídas ocorram ainda em janeiro.

Além de Guilherme Derrite (PP), que já deixou a Secretaria de Segurança Pública para tentar uma vaga no Senado, outros quatro secretários devem se afastar: Guilherme Piai (PL), da Agricultura; Helena Reis (Republicanos), de Esportes; e Roberto Lucena (Republicanos), de Turismo, devem concorrer à Câmara dos Deputados. Já Gilberto Kassab (PSD) afirmou que pretende se dedicar à coordenação da campanha de seu partido, do qual é presidente nacional.

A expectativa de que Tarcísio disputasse a Presidência havia provocado intensa movimentação de lideranças políticas paulistas nos bastidores, de olho na sucessão estadual. Esse movimento, segundo apurou a Folha, perdeu força nas últimas semanas.

Na terça-feira (23), durante a entrega do piscinão Jaboticabal, o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), citado como um dos interessados no governo estadual, deixou de mencionar em seu discurso o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), outro nome cotado para a disputa.

O episódio foi tratado como um desencontro protocolar e terminou com um gesto público de cordialidade, quando Nunes convidou Prado para visitar uma obra da prefeitura na zona norte da capital —convite que foi aceito.

Apesar das sinalizações do governador, no núcleo mais próximo de Tarcísio de Freitas a permanência definitiva em São Paulo ainda não é considerada unanimidade. Aliados avaliam que ainda existe a possibilidade de Flávio Bolsonaro desistir da pré-candidatura presidencial, reabrindo o cenário político para 2026.

Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira

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