sábado , 7 março 2026

Casal acusado de comandar finanças do Comando Vermelho em Goiás segue foragido após Operação Cifra Vermelha

As autoridades seguem à procura de Jeiziel de Oliveira Rosa e Ana Paula da Silva Barreto, apontados pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) como os responsáveis pelo setor financeiro do Comando Vermelho (CV) no estado. O casal não foi localizado durante a Operação Cifra Vermelha, deflagrada na última terça-feira (18), e é considerado foragido.

Segundo o MP, os dois movimentaram aproximadamente R$ 28 milhões em menos de dois anos, em um esquema de lavagem de dinheiro que incluía o uso de contas bancárias de familiares — entre eles a mãe idosa de Ana Paula e os filhos adolescentes do casal — além de empresas de fachada e compra de gado.

De acordo com reportagem da TV Anhanguera, Jeiziel já possui registros por tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo. Ana Paula tem histórico por receptação, tráfico e condução de embarcação ou aeronave sob efeito de drogas.

Em 2022, ela chegou a ser presa por receptação, mas foi liberada após pagar fiança de R$ 1.220. Já Jeiziel foi denunciado em 2020, quando foi abordado em Aparecida de Goiânia. Na ação, a Polícia Militar apreendeu 50 munições de uso restrito, porções de cocaína, além de armas, ecstasy e maconha encontrados na residência.

Para o MP, embora ainda não exista denúncia formal por organização criminosa, a atuação de Jeiziel no entorno do crime organizado ocorre “há quase uma década”. Há indícios de que o casal possa ter deixado o estado.

As investigações, que duraram cerca de um ano, avançaram após a quebra de sigilo telemático dos suspeitos, permitindo ao MP analisar comunicações e movimentações financeiras.

Segundo os promotores, Jeiziel seria o autor intelectual do esquema, enquanto Ana Paula controlava as finanças. Integrantes da facção criavam empresas de fachada exclusivamente para receber e espalhar recursos do tráfico. Valores eram depositados diariamente em pequenas quantias por meio de diversas contas — muitas delas abertas em casas lotéricas — o que, somado, chegava a milhões.

Para tentar dar aparência legal ao dinheiro sujo, o casal investia pesado na compra de gado, área na qual foram identificadas movimentações que também totalizam cerca de R$ 28 milhões.

Familiares eram usados para ocultar os valores. Até mesmo contas bancárias abertas em nome dos filhos, de 12 e 14 anos, serviam para receber dinheiro vindo dos traficantes. O tenente-coronel Daniel Machado destacou que a mãe de Ana, aposentada com salário de R$ 2.400, teve contas abertas em seu nome usadas para operações que, apenas em três transações, ultrapassaram R$ 1,6 milhão.

A operação cumpriu 13 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão — entre preventivas e temporárias — por meio do Gaeco, em parceria com o Comando de Operações de Divisas (COD) da PMGO. Um contador suspeito de criar as empresas de fachada foi preso.

Além disso, foram apreendidos dinheiro, armas, munições, veículos e aparelhos eletrônicos. Todo o material será analisado para identificar possíveis novos núcleos financeiros da facção no estado.

O MP ressaltou que o maior impacto da operação foi o sequestro de R$ 28.108.51,70 em contas ligadas ao grupo, além da apreensão de veículos. Segundo os promotores, esse bloqueio atinge diretamente a estrutura financeira do Comando Vermelho em Goiás, dificultando a compra de armas, drogas e outros recursos que alimentam a organização criminosa.

Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira

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