quinta-feira , 22 outubro 2026

Exclusivo: promotora Lélia Maria Oliveira vai acionar Ronaldo Caiado por irregularidades no Hospital Cora Coralina

Caiado ignorou alertas do Ministério Público, atacou promotora e agora enfrenta risco real de ação civil pública por improbidade administrativa
O cerco jurídico ao governador Ronaldo Caiado (União Brasil) se fecha de forma inédita.
A promotora de Justiça Lélia Maria Oliveira, que já havia alertado o governador sobre as irregularidades na construção do Hospital Cora Coralina, prepara agora uma ação civil pública contra o chefe do Executivo goiano por uso indevido de recursos públicos, direcionamento contratual e possível dano ao erário.
Meses antes da ação, a promotora Lélia Maria Oliveira havia enviado recomendações formais e pareceres técnicos ao governo estadual, apontando falhas graves no processo de contratação, falta de transparência na licitação e ausência de justificativa legal para aditivos milionários no contrato do Hospital do Câncer, que o governo batizou de Hospital Cora Coralina.
Fontes do Ministério Público confirmaram que os alertas foram ignorados e que o governador chegou a acusar a promotora de agir com motivação política, numa tentativa de deslegitimar a atuação técnica e independente do órgão de controle.
O episódio gerou mal-estar institucional e foi visto internamente no MP como uma afronta à autonomia funcional do Ministério Público, princípio protegido pelo artigo 127 da Constituição Federal.
Apresentado como a “obra símbolo” da gestão Caiado, o Hospital Cora Coralina foi anunciado com pompa e circunstância — promessa de atendimento oncológico de referência em Goiás.
Mas documentos em posse do MP revelam a existência de sobrepreço em materiais, direcionamento de empresas e aditivos que elevaram o custo da obra em mais de 30% sem justificativas técnicas plausíveis.
Além disso, há indícios de execução parcial com medições infladas, o que pode configurar dano ao erário e falsidade ideológica.
A promotora também apura possível conflito de interesses entre empresas subcontratadas e doadores de campanha de aliados do governador.
Fontes do Palácio das Esmeraldas confirmam que Caiado ficou furioso ao ser confrontado publicamente pela promotora Lélia.
Em declarações reservadas, o governador teria afirmado que a promotora “atua com viés político” e “tenta atrapalhar uma das obras mais importantes da gestão”.
Nos bastidores, porém, membros do MP veem as declarações como uma tentativa de intimidação institucional.
O Conselho Superior do Ministério Público chegou a discutir a questão internamente, reafirmando a independência funcional de Lélia Maria Oliveira e apoiando sua atuação na investigação do caso.
Com o avanço das apurações, a promotora prepara o ajuizamento de ação civil pública por improbidade administrativa, que poderá atingir Caiado, secretários e empresários envolvidos na execução da obra.
A ação deverá ter como fundamento a Lei nº 8.429/1992 (Lei de Improbidade Administrativa) e a Lei nº 14.133/2021 (Nova Lei de Licitações).
Entre os dispositivos que poderão ser aplicados estão:
•Art. 10, inciso VIII – Dano ao erário por dispensa ou inexigibilidade irregular de licitação;
•Art. 11, caput – Violação aos princípios da moralidade e da publicidade;
•Art. 72 da Lei 14.133/21 – Responsabilidade solidária por atos ilícitos na execução de contratos públicos.
Se a ação for recebida pela Justiça, o governador e demais envolvidos poderão ter bens bloqueados, perder direitos políticos e responder por improbidade administrativa — com risco real de afastamento cautelar de funções de gestão ligadas à obra.
A ofensiva de Lélia Maria Oliveira acontece no pior momento político de Ronaldo Caiado.
Depois da decisão do STF que suspendeu o FUNDEINFRA, o governador perde mais um pilar de sustentação e vê sua narrativa de “governo técnico e moralizador” desmoronar diante das acusações de irregularidades.
A reação agressiva contra a promotora apenas reforçou a percepção de autoritarismo e intolerância a fiscalizações, isolando politicamente o governador e fortalecendo o Ministério Público.
Nos bastidores, a leitura é clara: Caiado rompeu o equilíbrio institucional e pode enfrentar uma onda de ações judiciais e desgaste moral irreversível.
O embate com a promotora Lélia Maria Oliveira simboliza a ruptura entre o governo e os órgãos de controle.
Caiado, que sempre se apresentou como defensor da legalidade e da ética pública, agora enfrenta o risco concreto de se tornar réu por improbidade administrativa — acusado de ignorar alertas técnicos, atacar a promotoria e permitir irregularidades milionárias na obra mais cara de sua gestão.
A ação de Lélia pode se tornar um divisor de águas: ou o governador enfrenta as consequências jurídicas do seu estilo de comando, ou o episódio marcará o início do colapso político do seu governo em Goiás.
Redação

Check Also

Encontro internacional fortalece imagem de Lula, aponta novo levantamento

Uma pesquisa divulgada nesta semana revelou que parte significativa dos brasileiros avalia que o presidente …

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *