sábado , 7 março 2026

STF julgará militares dos “kids pretos” por trama golpista em novembro

O Supremo Tribunal Federal (STF) marcou para o dia 11 de novembro de 2025 o início do julgamento do chamado “núcleo 3” da suposta trama golpista, que teria atuado para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2023. O grupo é formado por 11 militares do Exército e um agente da Polícia Federal, apontados pela Procuradoria-Geral da República como parte de uma organização criminosa que tentou promover uma ruptura institucional no país.

Entre os acusados estão nomes ligados ao curso de Operações Especiais do Exército, conhecidos internamente como “kids pretos” — expressão usada para designar oficiais com treinamento avançado em ações estratégicas e missões sigilosas. Segundo as investigações, esses militares teriam atuado na estrutura operacional e logística do suposto plano golpista.

Constam na lista de réus nomes como Bernardo Romão Corrêa Netto, Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira, Fabrício Moreira de Bastos, Márcio Nunes de Resende Júnior, Rafael Martins de Oliveira, Rodrigo Bezerra de Azevedo, Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros e Wladimir Matos Soares, agente da Polícia Federal.

A denúncia apresentada pela PGR aponta que o grupo teria discutido estratégias para mobilizar tropas, pressionar o comando do Exército e impedir a posse do presidente eleito. Um dos documentos centrais da acusação é a chamada “Carta ao Comandante do Exército”, que teria sido redigida para estimular uma suposta intervenção militar.

Os acusados respondem por crimes como:

  • Organização criminosa armada,

  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito,

  • Golpe de Estado,

  • Dano qualificado ao patrimônio da União,

  • Associação criminosa e incitação pública à desobediência militar.

Caso condenados, as penas podem ultrapassar 20 anos de prisão, variando conforme a participação individual de cada réu.

O ministro Flávio Dino, presidente da Primeira Turma do STF, será o responsável por conduzir o julgamento, que também contará com sessões nos dias 12, 18 e 19 de novembro. A expectativa é de que o tribunal mantenha o mesmo rigor adotado no julgamento do núcleo principal, realizado em setembro, que resultou na condenação de oito envolvidos, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, a 27 anos e 3 meses de prisão.

A nova fase do julgamento ocorre em um momento de forte atenção pública à atuação das Forças Armadas no período eleitoral e pós-eleitoral de 2022. Segundo juristas ouvidos por Goiás da Gente, o processo marca “um divisor de águas” na relação entre instituições militares e a democracia brasileira.

“O julgamento dos chamados ‘kids pretos’ será simbólico. Ele definirá até que ponto o STF entende que houve uma estrutura militar organizada por trás da tentativa de ruptura”, avalia um analista político ouvido pela reportagem.

As defesas dos réus negam que houvesse qualquer plano de golpe e sustentam que as conversas e documentos apresentados pela PGR são “interpretações políticas” de debates internos sobre o papel das Forças Armadas. Alegam ainda que não houve ato concreto de execução e que as acusações carecem de provas materiais.

Redação

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