quarta-feira , 21 outubro 2026

Caiado acusa União de reter mais de R$ 1,2 bilhão da Saúde de Goiás nos últimos três anos

Governador afirma que estado foi obrigado a ampliar investimentos próprios para suprir lacuna deixada pelo governo federal

O governador Ronaldo Caiado (UB) acusou, nesta quinta-feira (3/10), o governo federal de ter deixado de repassar mais de R$ 1,266 bilhão para a saúde pública de Goiás ao longo dos últimos três anos. Segundo ele, a ausência desses recursos compromete diretamente o atendimento da população e obriga o estado a elevar a fatia do orçamento destinada ao setor.

De acordo com Caiado, a maior parte da defasagem — R$ 1,15 bilhão — está ligada ao teto de Média e Alta Complexidade (MAC), valores que deveriam ter sido transferidos pelo Ministério da Saúde no período de 2023 a 2025. Outros R$ 110 milhões seriam referentes à manutenção do Hospital de Águas Lindas, inaugurado em 2020.

O governador ressaltou ainda que, embora Goiás seja o 11º estado mais populoso do país, ocupa apenas a 19ª posição no ranking de repasses per capita da União para a saúde. Em 2024, o valor recebido foi de aproximadamente R$ 419 milhões, número considerado insuficiente frente à demanda crescente.

“Estamos arcando com responsabilidades que são constitucionais do governo federal. O povo goiano não pode ser penalizado por decisões políticas que reduzem o financiamento da saúde”, disse Caiado.

Para compensar o que classifica como “omissão da União”, Caiado afirmou que o governo estadual ampliou de forma significativa os investimentos próprios no setor:

  • Em 2023, foram R$ 4,13 bilhões, o equivalente a 13,9% da receita estadual;

  • Em 2024, o montante subiu para R$ 4,73 bilhões, chegando a 14,3% da receita.

Ele também destacou que, em nível nacional, a participação do governo federal no financiamento do SUS teria caído ao longo das últimas décadas — de 52% em 2002 para 40% atualmente.

As declarações de Caiado ocorrem em meio ao acirramento político entre o governo estadual e a União. O governador tem reforçado o discurso de que Goiás sofre injustiça na distribuição de recursos, especialmente na saúde, e que o estado tem arcado com gastos além da sua responsabilidade constitucional.

O governo federal, até o momento, não se manifestou oficialmente sobre os números apresentados.

Redação

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