Uma professora da rede municipal de Goiânia, com 15 anos de experiência em sala de aula, viveu momentos de terror durante uma atividade escolar no Setor Faiçalville. Ela foi empurrada por um aluno de 10 anos, diagnosticado com Transtorno Opositivo Desafiador (TOD), caiu em uma vala e sofreu ferimentos no braço e no pescoço. O episódio foi tão grave que a educadora precisou se afastar de suas funções e afirma não ter condições emocionais de retornar à sala de aula.
“Não me sinto segura. O que aconteceu comigo pode acontecer com outros colegas a qualquer momento”, desabafou a professora em entrevista. O aluno, segundo ela, já vinha apresentando episódios de agressividade e, após o empurrão, chegou a gritar que “odiava a professora”.
No dia da agressão, a professora estava sozinha com vários alunos em uma quadra, contando apenas com o apoio de uma docente de Atendimento Educacional Especializado (AEE), responsável por três estudantes com necessidades especiais — entre eles, o menino que a atacou. Para a vítima, o quadro revela um grave déficit de estrutura e suporte pedagógico.
“Não é possível trabalhar assim. Um professor sozinho, com dezenas de crianças, sem a assistência adequada, acaba ficando exposto. A prefeitura precisa garantir segurança não só para os alunos, mas também para os educadores”, pontuou.
Após o episódio, a educadora registrou boletim de ocorrência, acionou o Conselho Tutelar e teve acompanhamento médico. A Secretaria Municipal de Educação de Goiânia confirmou que o aluno possui laudos médicos e acompanhamento especializado. Em nota, informou que está articulando medidas com órgãos de proteção, incluindo a Secretaria de Saúde, o Conselho Tutelar, a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente e o Juizado da Infância e Juventude.
Apesar disso, a professora permanece afastada e cobra soluções imediatas: “Não adianta esperar outro caso para agir. Hoje fui eu, amanhã pode ser outro colega”.
O caso reacende o debate sobre condições de trabalho dos professores, que convivem diariamente com turmas numerosas, falta de apoio psicológico e ausência de políticas eficazes para lidar com estudantes que necessitam de acompanhamento especial.
Educadores e especialistas defendem a criação de protocolos de segurança, ampliação do número de profissionais de apoio e acompanhamento psicológico para docentes vítimas de violência. “A escola precisa ser um espaço de aprendizado e proteção, não de medo”, afirmou um representante da categoria.
Redação
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