quarta-feira , 21 outubro 2026

Anistia a Bolsonaro perde força na Câmara

A tentativa de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro de aprovar uma anistia ampla perdeu fôlego na Câmara dos Deputados. A avaliação é do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), que reconheceu as dificuldades políticas de levar adiante um projeto que restaure os direitos políticos do ex-mandatário após sua condenação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O tema voltou ao centro do debate depois que Bolsonaro se tornou inelegível por oito anos, em razão de ataques ao sistema eleitoral. A anistia, que havia ganhado espaço em discursos de parlamentares mais alinhados ao ex-presidente, enfrenta forte resistência dentro e fora do Congresso.

Pesquisas nacionais revelam que 54% da população é contra uma medida que beneficie diretamente Bolsonaro, enquanto apenas 39% se dizem a favor. Esse cenário pressiona líderes partidários a repensarem a estratégia, já que o custo político pode ser alto diante do eleitorado.

No lugar de uma proposta ampla, ganha corpo a ideia de um texto mais restrito, que poderia reduzir as punições a manifestantes envolvidos nos atos de 8 de janeiro, mas sem recuperar a elegibilidade de Bolsonaro. Essa alternativa teria mais chances de avançar, ao atender parte da base bolsonarista sem confrontar diretamente o Judiciário.

O presidente Lula recebeu Hugo Motta no Palácio da Alvorada para um almoço reservado. Durante o encontro, reforçou sua posição de não apoiar a anistia irrestrita, movimento interpretado como sinal de que o tema dificilmente encontrará ambiente político para prosperar.

Em Goiás, onde Bolsonaro mantém forte base eleitoral, a discussão divide opiniões:

  • Parlamentares bolsonaristas reforçam o discurso da “perseguição política” e pressionam por uma solução que restabeleça os direitos do ex-presidente.

  • Já líderes de partidos do chamado Centrão goiano avaliam com cautela: temem o desgaste público de apoiar uma medida rejeitada pela maioria da população, mas também não querem se afastar do eleitorado conservador.

O debate sobre a anistia escancara o impasse político em Brasília: de um lado, a base bolsonarista que tenta salvar a liderança de seu maior nome; do outro, a necessidade de preservar a institucionalidade e a leitura pragmática de que o Congresso não pode contrariar a opinião pública e o STF ao mesmo tempo.

Para Goiás, o desenrolar dessa pauta será crucial, já que influencia diretamente o xadrez político de 2026, onde candidatos locais avaliam se manterão a ligação direta com Bolsonaro ou se buscarão alternativas de discurso mais moderado.

Redação

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