Um episódio revoltante de possível negligência médica chocou familiares e moradores de Anápolis na tarde desta quarta-feira (13). O idoso Camerino Gama, que apresentava sintomas claros de uma emergência cardíaca, esperou cerca de uma hora por atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade, até sofrer uma parada cardíaca dentro da sala de espera.
Segundo relatos da família, Camerino começou a passar mal por volta das 13h. Com dores no peito e nas costas, formigamento em um braço, desorientação e dificuldade para se alimentar sozinho, ele foi atendido inicialmente pelo SAMU. Apesar da gravidade dos sintomas, foi informado que, por estar lúcido, não seria aceito no hospital de urgência, sendo encaminhado para a UPA por “protocolo” — sem que ficasse claro se a regra é municipal ou estadual.
Ao chegar de ambulância na UPA, recebeu uma pulseira amarela, que indica prioridade intermediária. Na sala de espera, testemunhas relataram que pacientes aparentemente estáveis foram chamados antes dele. A filha mais velha, que o acompanhava, tentou pedir agilidade, mas a equipe manteve a ordem interna de atendimento.
Foi então que a situação se agravou: Camerino começou a sofrer uma parada cardíaca diante dos presentes. Segundo a família, um dos profissionais chegou a minimizar o quadro, afirmando tratar-se de “apenas uma convulsão”. A filha precisou intervir com veemência para que os socorristas o colocassem na maca e iniciassem o atendimento.
Após o socorro, o idoso foi levado para uma sala, mas os familiares ficaram mais de uma hora sem qualquer notícia sobre seu estado. Apenas depois desse tempo, uma médica comunicou de forma ríspida que Camerino havia ficado 14 minutos sem oxigenação cerebral, sendo entubado e colocado em uma semi-UTI, enquanto aguarda vaga para transferência.
Na manhã desta quinta-feira (14), parentes se dirigiram à UPA para buscar informações sobre a noite do paciente. Entretanto, alegam que o telefone da unidade não é atendido, dificultando ainda mais a comunicação e aumentando a angústia da família.
O caso levanta sérias questões sobre o protocolo de encaminhamento do SAMU, a priorização de atendimentos nas UPAs e o tratamento dado a pacientes em situação de risco iminente. A família estuda formalizar denúncia ao Ministério Público e à Secretaria de Saúde, exigindo apuração rigorosa.
Enquanto isso, Camerino Gama segue internado, lutando pela vida, e seus familiares esperam que a omissão e o descaso que presenciaram não sejam repetidos com outros pacientes.
Redação
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