O Ministério Público Federal (MPF) arquivou um pedido de investigação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por suposta prática de violência política de gênero. A representação havia sido apresentada pelo Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), após a divulgação de um vídeo, às vésperas do Dia da Mulher do ano passado, em que Bolsonaro afirmou que mulheres petistas seriam “feias” e “incomíveis”.
De acordo com relatório assinado pelo procurador regional dos Direitos do Cidadão, Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, embora as declarações sejam consideradas “social e eticamente reprováveis”, o episódio foi tratado como um caso isolado, sem comprovação de estratégia para excluir mulheres da participação política ou de consequência objetiva que justificasse ação civil pública.
O CNDH recorreu administrativamente da decisão. Para a presidente do conselho, Ivana Leal, as declarações do ex-presidente foram misóginas e atentam contra a igualdade de gênero e o respeito às mulheres na vida pública.
O recurso também conta com a assinatura do advogado Carlos Nicodemos, conselheiro da entidade.
As falas de Bolsonaro vieram a público em 6 de março do ano passado, por meio de vídeo divulgado por seu filho, o vereador Jair Renan (PL). No trecho compartilhado, o ex-presidente diz que não haveria “mulher bonita petista” e relata episódio em que teria sido xingado por uma mulher em aeroporto.
O vídeo divulgado era um “corte” de uma fala mais longa, sem contexto integral apresentado. A edição ainda repetia a expressão “incomível” e adicionava efeitos visuais conhecidos nas redes sociais.
Bolsonaro acumula histórico de declarações polêmicas envolvendo mulheres adversárias políticas. Em um dos casos mais conhecidos, afirmou que a deputada Maria do Rosário (PT) “não merece ser estuprada porque é muito feia”, episódio pelo qual foi condenado pela Justiça a se retratar e indenizar a parlamentar por danos morais.
Redação: Integração News
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