A Polícia Federal prepara um relatório com os primeiros achados extraídos do celular e de arquivos do empresário Daniel Vorcaro, no âmbito das investigações do caso Master. O material, segundo investigadores, contém menções a figuras políticas relevantes e pode levar à abertura de novos inquéritos.
Entre os nomes citados está o senador Ciro Nogueira, presidente do PP. A PF avalia se há elementos suficientes para investigar se o parlamentar atuou em favor dos interesses do banqueiro. O relatório será encaminhado nos próximos dias ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, relator do caso.
De acordo com as mensagens analisadas, Vorcaro comemorou uma emenda apresentada por Nogueira em 2024, que previa aumentar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para investidores com aplicações como CDBs em instituições financeiras em crise. A proposta acabou rejeitada por falta de apoio político.
Em conversas privadas, o banqueiro demonstrou entusiasmo com a repercussão da iniciativa. “Todo mundo me ligando… sentiram o golpe”, escreveu em uma das mensagens.
As investigações também apontam movimentações políticas durante as negociações para venda da instituição financeira de Vorcaro ao BRB. Diante da possibilidade de veto do Banco Central do Brasil, o deputado Cláudio Cajado (PP-BA), aliado de Ciro Nogueira, articulou um requerimento para acelerar um projeto que permitiria ao Congresso destituir dirigentes do BC. A proposta não avançou após reação negativa do mercado.
Em outra mensagem, Vorcaro se referiu ao senador como “um dos meus grandes amigos de vida”. Questionado, Ciro Nogueira afirmou que mantém relação com diversos empresários, mas negou proximidade que configure favorecimento.
“Se surgir alguma denúncia comprovada contra mim, renuncio ao mandato”, declarou.
A Polícia Federal informou que está filtrando o material apreendido, desconsiderando conteúdos de caráter pessoal e focando apenas em indícios que possam configurar crimes. Para que o caso siga no STF, é necessário identificar o envolvimento de autoridades com foro privilegiado.
As apurações também revelam que Vorcaro destacava, em conversas privadas, a importância de sua rede de contatos em Brasília. Segundo ele, relações políticas seriam essenciais para viabilizar negócios no país.
Mensagens trocadas com Paulo Henrique Costa mencionam, inclusive, uma possível reunião com Antônio Rueda durante tratativas envolvendo o banco.
Na época, o BRB chegou a anunciar a compra de 58% do capital da instituição de Vorcaro por cerca de R$ 2 bilhões, operação posteriormente rejeitada pelo Banco Central, que acabou decretando a liquidação do banco por suspeitas de fraudes e dificuldades financeiras.
Procurado, Paulo Henrique Costa afirmou, por meio de advogados, que as conversas ocorreram dentro do exercício regular de suas funções. Já Antônio Rueda confirmou que prestou serviços jurídicos ao banco, classificando a atuação como técnica, legal e compatível com a advocacia.
Outro nome citado nas investigações é o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, vice-presidente do União Brasil. Relatório do Coaf aponta que ele recebeu R$ 3,6 milhões do banco e de uma gestora de recursos entre 2023 e 2024. ACM Neto afirmou que os valores se referem a serviços de consultoria prestados de forma regular.
O caso segue em investigação e pode ter novos desdobramentos nos próximos dias, à medida que a Polícia Federal avança na análise do material apreendido.
Redação: Integração News
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