sábado , 7 março 2026

Proposta de abrir rua dentro do Parque Flamboyant gera reação imediata e divide Prefeitura de Goiânia

A Prefeitura de Goiânia avalia a possibilidade de construir uma rua que atravesse o Parque Flamboyant, no Jardim Goiás. A proposta, ainda em fase de estudos técnicos, busca melhorar o fluxo de trânsito e facilitar o acesso à região.

Segundo a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra), a análise considera alternativas para otimizar a mobilidade urbana no entorno do parque. Atualmente, motoristas que seguem no sentido oeste-leste utilizam a Rua 56-A, uma viela localizada a cerca de 250 metros do fim da área verde. O projeto em estudo prevê a implantação da nova via na parte mais baixa do parque.

Procurada pelo Integração News, a secretaria informou que avalia fatores como volume de tráfego, segurança viária, impacto ambiental e soluções de engenharia antes de qualquer decisão definitiva. O processo ocorre de forma integrada, com diálogo com moradores e órgãos técnicos como a Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito (SET), a Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) e a Secretaria Municipal de Planejamento Urbano (Seplan). Ainda não há prazo para conclusão dos estudos.

Apesar de ainda estar em análise, a proposta já enfrenta resistência dentro da própria administração municipal. Relatórios técnicos apontam posicionamentos contrários de diferentes secretarias.

A Amma alertou que a intervenção pode comprometer ainda mais o córrego Sumidouro, cuja nascente está localizada dentro do parque. O órgão destacou que a área é protegida por lei, já sofre com ocupações irregulares e deveria ter a área verde ampliada — e não reduzida.

A Seplan também se manifestou contra a abertura da nova via. Para a pasta, a solução mais adequada seria regularizar e ampliar o traçado da Rua 56-A, já que imóveis e lotes próximos apresentam pendências fundiárias ou estão em processo de regularização. A proposta inclui desapropriações pontuais e ampliação da via existente para melhorar o fluxo de veículos.

A SET acompanhou esse entendimento e defendeu como alternativa técnica o alargamento da faixa de rolamento na própria Rua 56-A.

O tema também gerou reação na Câmara Municipal. A presidente da Comissão de Meio Ambiente, a vereadora Katia Maria, classificou como “inadmissível” a possibilidade de intervenção no parque defendida pelo prefeito Sandro Mabel.

Segundo a parlamentar, a capital já enfrenta problemas recorrentes de alagamento, especialmente em áreas próximas à Marginal Botafogo. Para ela, a redução de áreas verdes pode agravar a drenagem urbana e intensificar impactos climáticos.

A vereadora defendeu a ampliação de áreas permeáveis na cidade e afirmou que, caso a proposta avance, o município poderá comprometer uma das principais áreas ambientais urbanas da capital sem resolver, de forma definitiva, os problemas de mobilidade na região.

O debate segue aberto, enquanto os estudos técnicos continuam em andamento.

Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira

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