O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que deixou claro ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que a instituição financeira seria alvo de uma investigação estritamente técnica por parte do Banco Central, sem qualquer interferência política. O encontro ocorreu no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024, antes da revelação do esquema bilionário de fraudes que hoje envolve o banqueiro.
O relato foi feito pelo próprio presidente em entrevista ao Portal UOL. Segundo Lula, durante a conversa, Vorcaro afirmou estar sendo vítima de “perseguição” e alegou que havia pessoas interessadas em derrubá-lo.
“O que eu disse para ele foi simples: não haverá posição política pró ou contra o Banco Master. O que haverá será uma investigação técnica feita pelo Banco Central. A política não entra nisso. O que entra é a competência técnica para saber se está errado, se quebrou, se houve lavagem de dinheiro ou não. E é isso que está sendo feito”, declarou Lula.
A fraude envolvendo o Banco Master só veio a público no fim de 2025, meses após a reunião com o presidente. Daniel Vorcaro chegou a ser preso pela Polícia Federal em novembro, mas acabou sendo solto no mesmo mês por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). O caso agora tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).
Questionado sobre a relação com o banqueiro, Lula afirmou que, ao longo do atual mandato, recebeu representantes de diversas instituições financeiras e ressaltou que não havia agenda oficial marcada com Vorcaro. O encontro, segundo ele, ocorreu a pedido do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega.
O presidente disse ainda que convidou para a reunião o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, que teria relação prévia com o empresário. Após o encontro, Lula afirmou ter chamado o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, além de Galípolo e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, para tratar do assunto.
“Quis ouvir o que o Haddad pensava sobre o Banco Master, entender a relação da instituição com o Banco Central e ver como a Procuradoria poderia ajudar. Estávamos diante da primeira chance real de enfrentar os magnatas da corrupção e da lavagem de dinheiro neste país”, afirmou.
Lula reforçou que o caso pode representar um dos maiores escândalos financeiros da história brasileira e garantiu que não haverá proteção política.
“É uma chance extraordinária. Não me importa se envolve político, partido ou banco. Quem estiver metido nisso vai ter que pagar o preço da irresponsabilidade de causar um rombo que pode ser o maior da história do país”, concluiu o presidente.
Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira
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