sábado , 7 março 2026

PT oferece vaga de vice a MDB e cogita sacrificar Alckmin para ampliar aliança de Lula em 2026

Um grupo do PT designado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para articular sua reeleição trabalha para atrair o MDB para a chapa presidencial que será levada às urnas em outubro. A principal moeda de troca seria a vaga de vice-presidente, o que abriria espaço para que o atual vice, Geraldo Alckmin (PSB), dispute as eleições em São Paulo. Atualmente, o MDB comanda três ministérios no governo, mas a cúpula do partido ainda resiste a um alinhamento eleitoral formal com o PT.

Caso o acordo avance, os nomes mais citados para ocupar a vice na chapa de Lula são o ministro dos Transportes, Renan Filho, e o governador do Pará, Helder Barbalho. Ambos, no entanto, têm planos eleitorais em seus estados: Renan Filho avalia disputar o governo de Alagoas, enquanto Barbalho considera concorrer ao Senado.

Historicamente, o MDB é marcado por divisões regionais. Mesmo nos períodos em que formalizou alianças nacionais, como nas eleições de 2010 e 2014 com Dilma Rousseff e Michel Temer como vice, o partido enfrentou dissidências em estados importantes, como o Rio Grande do Sul.

Ciente desse cenário, a cúpula do PT reconhece que dificilmente contará com apoio integral do MDB e tenta costurar uma aliança nacional que garanta tempo de televisão a Lula, permitindo, ao mesmo tempo, que os diretórios estaduais tenham liberdade de posicionamento.

Com a decisão do PSD de lançar um candidato próprio à Presidência — reforçada após a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado —, o MDB passou a ser visto por petistas como a principal alternativa para compor uma chapa de centro. Apesar de esforços para atrair setores do União Brasil, há o entendimento de que o partido não assumirá apoio formal a Lula.

Nesse contexto, aliados do presidente avaliam que a única forma de atrair o MDB seria oferecendo a vaga de vice, o que levaria Lula a considerar a substituição de Alckmin, apesar dos elogios públicos ao desempenho do atual vice-presidente. Alckmin, nesse cenário, poderia disputar o governo ou o Senado por São Paulo.

A maior resistência dentro do MDB a uma aliança com o PT vem do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes. No segundo turno da eleição presidencial de 2022, ele se opôs a um apoio formal do partido a Lula contra Jair Bolsonaro, enquanto a então candidata emedebista Simone Tebet teve papel ativo na campanha petista.

Reeleito em 2024 com apoio de Bolsonaro, que chegou a indicar seu vice, Nunes afirma respeitar os correligionários que integram o governo federal, mas avalia que uma adesão ao PT não seria aprovada pelas instâncias internas do MDB.

— A maioria do partido tem uma posição predominante contrária ao apoio a esse governo do PT, que tem sido uma catástrofe — declarou o prefeito.

Aliados de Lula no MDB avaliam que a postura de Nunes também reflete o envolvimento direto do presidente na eleição municipal de São Paulo, quando apoiou intensamente a candidatura de Guilherme Boulos (PSOL), derrotado no segundo turno. A pressão para que o PT investisse R$ 44 milhões na campanha também teria acirrado tensões.

A decisão de Lula de incentivar Simone Tebet a transferir seu domicílio eleitoral para São Paulo, visando uma candidatura ao Senado, também contribuiu para o desgaste com o comando estadual do MDB. Dirigentes petistas acreditam que Tebet poderia permanecer no partido caso a aliança nacional avance, mas Nunes tem compromisso político com a reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Diante disso, não está descartada uma eventual filiação da ministra ao PSB.

Entre os defensores da aliança com Lula dentro do MDB estão nomes de peso, como os ex-presidentes do Senado Renan Calheiros, Jader Barbalho e Eunício Oliveira, além do senador Eduardo Braga. Ainda assim, a ala governista avalia que o PT demora a iniciar negociações formais.

Eunício Oliveira afirma que o partido ainda não definiu uma posição nacional.
— Tenho uma aliança no Ceará, já autorizada pela direção nacional, para apoiar o presidente Lula. Mas ainda não sabemos qual será a posição do MDB no plano nacional — disse.

Caso não haja acordo, a decisão poderá ser levada à convenção partidária. Segundo lideranças da sigla, hoje 17 diretórios estaduais são contrários a uma aproximação com o PT, enquanto dez se posicionam a favor. A disputa promete ser intensa e pode definir o papel do MDB na próxima eleição presidencial.

Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira

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