Um episódio de desrespeito marcou a greve realizada nesta semana na indústria farmacêutica Cifarma, em Goiânia. O vereador de Catalão, Rodrigo Alves Carvelo, foi flagrado em vídeos fazendo comentários ofensivos contra trabalhadores que optaram por não aderir ao movimento grevista.
Nas imagens, é possível ouvir o parlamentar ironizando o corpo de uma funcionária, sugerindo que ela deveria tomar “mounjaro”. Em outro momento, ele compara a aparência de uma funcionária à da própria esposa, afirmando que a esposa seria “mais bonita”. Um trabalhador idoso também foi alvo das chacotas: “parecendo um cotonete, de cabeça branca”, disparou o vereador.
As declarações provocaram constrangimento entre os colaboradores da empresa. Thayrla Gomes, coordenadora da Cifarma, foi uma das vítimas. Segundo ela, mesmo diante da barreira montada na porta da empresa pelos grevistas, decidiu seguir trabalhando. “A empresa já fornece alimentação e não vi sentido em paralisar. Por isso, não aderi à greve”, explicou.
No entanto, ao tentar exercer seu direito de escolha, acabou sendo chamada de “puxa-saco” no carro de som que apoiava o protesto. O caso foi registrado em boletim de ocorrência pela funcionária e por outro colega ofendido.
A paralisação foi organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Química, Farmacêutica e de Material Plástico no Estado de Goiás (Stiemp-GO). Entre as reivindicações, estavam:
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Pagamento integral do FGTS,
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Reajuste salarial com ganho real,
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Garantia de que o vale-alimentação não seja cortado em caso de atestado médico,
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Ampliação do valor do benefício.
O movimento começou por volta das 5h20 da manhã e se estendeu até às 9h, com acompanhamento da Polícia Militar.
A postura do vereador de Catalão gera questionamentos não apenas pela gravidade das ofensas, mas também pelo papel institucional que exerce como representante da população. O caso levanta debate sobre assédio moral, respeito às escolhas individuais em greves e limites da atuação política em ambientes de mobilização sindical.
Até o fechamento desta reportagem, não havia registro de manifestação oficial do parlamentar sobre o caso.
Redação
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