Goiânia (GO) — Um dos cartões-postais mais movimentados da capital, o Parque Vaca Brava, voltou a ser palco de uma discussão que mistura economia popular, ordenamento urbano e sobrevivência. Os tradicionais vendedores de água de coco que atuam no local afirmam estar apreensivos com as recentes exigências da Prefeitura de Goiânia, que quer substituir os quiosques fixos por estruturas móveis.
Segundo os ambulantes, a Secretaria de Desenvolvimento e Eficiência Pública notificou os trabalhadores para que realizem adaptações em seus pontos de venda. A proposta é que todos os quiosques se tornem móveis e padronizados, com a possibilidade de serem retirados ao fim do dia.
“A gente vive disso há anos, paga taxa, deixa tudo limpo e organizado. Agora querem que a gente tire tudo como se fosse um carrinho de feira”, lamenta um dos vendedores, que trabalha no parque há mais de 10 anos.
Após a repercussão negativa, uma reunião foi realizada entre representantes da categoria e o secretário de Eficiência, que garantiu que ninguém será removido de imediato. Segundo a pasta, a mudança busca “padronizar e organizar o espaço público”, mas com apoio financeiro e prazos adequados.
A gestão municipal também anunciou que deve oferecer linhas de financiamento para ajudar os trabalhadores na compra das novas estruturas e nos ajustes exigidos.
A taxa de regularização para os vendedores deverá ser de até R$ 500 por ano, o equivalente a cerca de R$ 40 por mês.
As novas regras não se restringem ao Vaca Brava. A Prefeitura pretende aplicar o mesmo modelo em outros parques da capital, como o Areião e o Flamboyant, e informou que todos os ambulantes desses locais devem ser notificados até o dia 15 de outubro.
A ampliação do programa levantou suspeitas entre alguns trabalhadores, que temem que a medida esteja relacionada a planos de concessão dos parques à iniciativa privada.
“A gente teme que tirem os pequenos pra dar espaço pra grandes empresas. Aqui é o ganha-pão de muita gente”, diz outro ambulante.
Em pronunciamento, o prefeito de Goiânia reconheceu que houve falhas na condução da ação e defendeu uma abordagem mais humana.
“Não é com truculência que se resolve. Não é certo mexer com quem está vendendo coco pra sustentar a família. Precisamos dar condições de legalização, carrinhos padronizados e financiamento acessível”, afirmou o prefeito.
Os vendedores de coco do Vaca Brava se tornaram parte da paisagem do parque — ponto de encontro de famílias, corredores e turistas. Para muitos, eles representam trabalho digno, simplicidade e o espírito goiano de hospitalidade.
Agora, a categoria aguarda novos desdobramentos e o cumprimento da promessa de diálogo feita pela Prefeitura. Enquanto isso, seguem vendendo seus cocos gelados sob o sol de Goiânia — com um sabor agridoce de incerteza sobre o futuro.
Redação
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