sábado , 7 março 2026

Venda de minas de níquel em Goiás por R$ 2,7 bi é investigada pelo Cade

A venda de ativos de níquel localizados em Goiás e avaliada em R$ 2,7 bilhões colocou o estado no centro de uma disputa que envolve grandes grupos econômicos e até interesses geopolíticos. A operação, que transferiu as unidades da Anglo American em Barro Alto e Niquelândia (Codemin) para a chinesa MMG, despertou questionamentos de concorrentes e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Segundo informações, além das minas em Goiás, o pacote vendido inclui projetos no Pará e em Mato Grosso. A transação foi fechada por aproximadamente US$ 500 milhões e está sendo analisada pelo Cade, que abriu um procedimento administrativo para investigar se a Anglo deveria ter comunicado previamente a operação. Caso seja confirmada a falha, a mineradora pode ser multada em até R$ 60 milhões.

Concorrência questiona escolha da Anglo

A Corex Holding, controlada pelo bilionário turco Robert Yüksel Yıldırım, afirmou que apresentou uma proposta de US$ 900 milhões, superior à dos chineses, mas que mesmo assim foi rejeitada. “Nunca vi um vendedor recusar um preço maior”, disse o empresário.

A Anglo, por sua vez, justificou que a escolha da MMG levou em conta não apenas o valor, mas também a solidez financeira, experiência operacional e garantias oferecidas pela empresa chinesa. A mineradora destacou ainda que seu foco atual é concentrar investimentos em cobre, minério de ferro e fertilizantes.

Preocupação internacional

A negociação chamou atenção fora do Brasil. O Instituto Americano de Ferro e Aço (AISI) enviou alerta ao governo dos Estados Unidos sobre os riscos de a China assumir controle direto sobre uma fatia relevante das reservas internacionais de níquel — mineral estratégico para a produção de baterias, aço inoxidável e tecnologias de energia limpa.

Goiás no centro da disputa

Com a venda, a MMG poderá concentrar mais de 50% da produção nacional de níquel e quase a totalidade do ferro-níquel produzido no país. Para especialistas, isso pode trazer impactos econômicos e sociais na região, onde milhares de empregos dependem da atividade mineral.

O Cade agora avalia os efeitos da operação e poderá aprovar, restringir ou até mesmo barrar o negócio. Enquanto isso, a venda das minas de Barro Alto e Niquelândia segue como tema de debate, envolvendo desde os trabalhadores locais até lideranças internacionais preocupadas com a influência chinesa sobre minerais estratégicos.

Redação

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