A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) divulgou, nesta quarta-feira (5), os resultados da Vigitel Goiás 2025, pesquisa que monitora hábitos de saúde da população e compara os dados atuais com os de 2022.
De acordo com o levantamento, 23,7% dos goianos fazem uso abusivo de bebidas alcoólicas e 10,4% admitem dirigir após consumir álcool. Apesar de os números ainda serem altos, houve uma leve melhora em relação a 2022, quando os índices eram de 24,1% e 10,8%, respectivamente.
Ou seja, quase um em cada quatro goianos bebe de forma excessiva, e um em cada dez assume o risco de dirigir alcoolizado.
Dados do Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO) mostram que o número de pessoas flagradas dirigindo sob efeito de álcool cresceu 40% no mesmo período comparado pela pesquisa.
De janeiro a outubro de 2022, foram registradas 10.398 autuações, contra 14.564 no mesmo período deste ano.
Para o órgão, o aumento na fiscalização pode ter contribuído para a leve redução observada na pesquisa da SES-GO.
“Com uma fiscalização maior, as pessoas ficam com mais receio de serem punidas”, avaliou o Detran em nota.
O presidente do Detran-GO, Delegado Waldir Soares, reconhece que os números ainda são preocupantes, mas afirma que o órgão tem intensificado as ações de combate à combinação álcool e direção.
“Temos aumentado a fiscalização com mais operações, que inibem o motorista de beber e dirigir”, destacou.
Para ele, o valor da multa atual, R$ 3 mil, é baixo diante da gravidade da infração.
“Por se tratar de uma conduta grave, a sanção deveria ser entre R$ 10 mil e R$ 15 mil”, defendeu Waldir.
O presidente do Detran explicou que o departamento vem ampliando parcerias e ações conjuntas com a Polícia Militar (PM), Guarda Civil Metropolitana (GCM) e Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Segundo ele, mais de 600 policiais estão sendo treinados para comandar operações da “Balada Responsável” em todas as regiões do estado.
“Queremos expandir essas ações, que hoje são esporádicas, para todo o território goiano”, garantiu.
O Vigitel é uma pesquisa nacional do Ministério da Saúde que monitora fatores de risco para doenças crônicas por meio de entrevistas telefônicas. Em nível estadual, apenas Goiás e São Paulo realizam o levantamento de forma regional.
Em Goiás, a pesquisa inclui entrevistas por celular e telefone fixo, abrangendo as 18 regionais de saúde.
A edição 2025 entrevistou 18.075 pessoas com 18 anos ou mais, entre janeiro e maio deste ano.
A pesquisa também revelou mudanças importantes em outros hábitos e condições de saúde dos goianos entre 2022 e 2025:
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Tabagismo: 13,1% → 14,3%
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Fumantes passivos no trabalho: 11,9% → 15,3%
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Excesso de peso: 57,3% → 62,9%
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Obesidade: 22,8% → 25,7%
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Consumo regular de frutas e hortaliças: 26,4% → 24,7%
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Consumo de ultraprocessados: 17,9% → 14,4%
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Consumo de refrigerantes: 19,5% → 21%
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Atividade física no tempo livre: 36% → 39,6%
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Hipertensão: 22,6% → 26,3%
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Diabetes: 6,4% → 9,3%
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Depressão: 12,1% → 15,5%
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Mamografia (mulheres de 50 a 69 anos): 67,4% → 77,6%
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Citologia oncótica (mulheres de 25 a 64 anos): 71,6% → 73,5%
Os dados mostram que, embora alguns indicadores tenham melhorado, como a prática de atividade física e os exames preventivos, outros — como obesidade, hipertensão e diabetes — seguem em crescimento, o que reforça a importância de políticas públicas contínuas para a promoção da saúde no estado.
Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira
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