sábado , 7 março 2026

União Brasil avalia pré-candidatura de Caiado ao Planalto para evitar alinhamento imediato com Lula ou Flávio Bolsonaro

Uma ala do União Brasil passou a defender com mais intensidade a pré-candidatura do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, à Presidência da República nas eleições de 2026, mesmo diante do baixo desempenho do goiano nas pesquisas de intenção de voto.

Internamente, a estratégia é vista como uma forma de o partido evitar um apoio direto ao senador Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno, reduzindo o risco de desgaste junto à base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — especialmente em estados do Nordeste governados ou influenciados pelo PT. Nesse cenário, lideranças defendem a liberação formal de apoio apenas no segundo turno.

Caiado e Flávio Bolsonaro chegaram a se reunir em dezembro. Segundo interlocutores, o senador tentou convencer o governador a construir uma frente unificada contra Lula já no primeiro turno. Caiado, no entanto, sinalizou que só haveria aliança em um eventual segundo turno contra o petista. A aliados, o governador de Goiás tem afirmado que sua candidatura é irreversível.

Dentro do União Brasil, a manutenção de uma candidatura própria mesmo sem viabilidade eleitoral expressiva tem precedente recente. Em 2022, a legenda lançou a senadora Soraya Thronicke, hoje no Podemos, que obteve apenas 0,5% dos votos no primeiro turno. Na ocasião, o partido liberou seus filiados para escolherem entre Lula e Jair Bolsonaro no segundo turno.

Apesar de ter anunciado oficialmente o rompimento com Lula em 2025, o União Brasil segue parcialmente integrado ao governo federal. Atualmente, três ministros ocupam cargos na Esplanada com vinculação à legenda, embora sem indicação formal reconhecida: Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional), Frederico Siqueira Filho (Comunicações) e Gustavo Feliciano (Turismo).

A nomeação de Feliciano, em dezembro, marcou uma reaproximação entre Lula e setores do partido. Para essa ala, a associação ao governo federal pode ser decisiva para a sobrevivência eleitoral no Nordeste, além de manter canais abertos caso o petista seja reeleito.

O principal objetivo do União Brasil — assim como de outros partidos do centrão — é ampliar sua bancada no Congresso Nacional. A distribuição dos fundos eleitoral e partidário está diretamente ligada ao desempenho nas eleições proporcionais, o que leva a legenda a evitar associações que possam gerar rejeição e comprometer candidaturas a deputado e senador.

O partido integra a federação União Progressista, formada com o PP, do senador Ciro Nogueira (PI), o que obriga as duas siglas a atuarem de forma conjunta no pleito. O PP pressiona para que a federação apoie Flávio Bolsonaro já no primeiro turno. Aliados avaliam, inclusive, a possibilidade de Ciro Nogueira compor a chapa como candidato a vice.

Lideranças do PP, no entanto, demonstram resistência à candidatura de Caiado e defendem duas alternativas: apoio imediato a Flávio Bolsonaro ou liberação total dos filiados para alianças conforme os interesses regionais.

A federação União Progressista traçou como meta a eleição de 120 deputados federais em 2026. Para isso, contará com um fundo eleitoral estimado em R$ 950 milhões, o maior entre os partidos, segundo levantamento preliminar da Fundação 1º de Maio, ligada ao Solidariedade.

Estratégia semelhante é adotada pelo PSD, comandado por Gilberto Kassab. Mesmo com três ministérios ocupados no governo Lula, o partido mantém a pré-candidatura do governador do Paraná, Ratinho Júnior, ao Planalto. A sigla busca preservar seus quadros do Sul e Sudeste, mais alinhados ao bolsonarismo, sem romper com alianças históricas no Nordeste.

Pesquisa Genial/Quaest, divulgada na última quarta-feira (14), mostra Lula na liderança da corrida presidencial de 2026, seguido por Flávio Bolsonaro. Em um dos cenários de primeiro turno, Lula aparece com 38% das intenções de voto, Flávio com 31% e Caiado com 5%. Renan Santos (Missão) e Aldo Rebelo (DC) registram 2% cada. Brancos e nulos somam 14%, enquanto 8% dos entrevistados se declararam indecisos.

O levantamento foi realizado entre os dias 8 e 11 de janeiro, com 2.004 entrevistas presenciais em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira

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