A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) iniciou oficialmente nesta terça-feira (19) o processo de transição da gestão das três maternidades públicas de Goiânia, atualmente administradas pela Fundação de Apoio ao Hospital das Clínicas (Fundahc). A mudança foi determinada após sucessivas crises na administração e será concluída no próximo dia 29 de agosto, quando a Fundahc deixará de responder pelas unidades.
Três novas gestoras já definidas
A partir dessa data, três organizações sociais (OSs) assumem a administração dos hospitais:
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Hospital e Maternidade Dona Iris: ficará sob responsabilidade do Instituto Patris, do Mato Grosso, com repasse de R$ 16,7 milhões.
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Hospital Municipal e Maternidade Célia Câmara: será gerido pela Sociedade Beneficente São José (SBSJ), de São Paulo, com contrato de R$ 15,3 milhões.
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Maternidade Nascer Cidadão: será administrada pela Associação Hospital Beneficente do Brasil (AHBB), também de São Paulo, com aporte de R$ 5,9 milhões.
No total, a Prefeitura empenhou cerca de R$ 38 milhões para contratos emergenciais de aproximadamente três meses, com custo mensal estimado em R$ 12,6 milhões.
Crise e denúncias contra a Fundahc
A decisão da SMS acontece após uma série de problemas na gestão da Fundahc. Relatórios apontaram falhas administrativas, descumprimento de metas e uso irregular do fundo rescisório. Em 2024, os atrasos nos repasses por parte da Prefeitura agravaram a crise, levando até à suspensão de partos no Hospital Célia Câmara por falta de anestesiologistas.
A Fundahc, vinculada à Universidade Federal de Goiás (UFG), nega as irregularidades e afirma que a Prefeitura criou uma “narrativa falsa”. A entidade cobra uma dívida de R$ 158,5 milhões acumulada desde 2018.
Prefeitura contesta valores
O prefeito Sandro Mabel (União Brasil), por sua vez, contesta o montante e garante que vai quitar apenas os débitos da atual gestão. Ele defende a mudança, alegando que as OSs têm experiência comprovada na administração de hospitais e maternidades.
“Não posso gastar R$ 8 milhões a mais por mês sem ver melhoria nos serviços. Essa mudança é irreversível e vai trazer resultados positivos para a população”, afirmou o prefeito.
Fiscalização e transparência
O processo de transição está sendo acompanhado por órgãos de controle, como o Ministério Público de Goiás (MP-GO) e o Ministério Público do Trabalho (MPT-GO), além de entidades de classe, para garantir transparência, ética e a continuidade dos atendimentos.
Redação
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