Os reflexos do “tarifaço” de Donald Trump, que impôs tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, começaram a atingir em cheio setores econômicos que até pouco tempo vibravam com a volta do republicano ao poder. Agora, diante do impacto bilionário, empresários e entidades historicamente alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro batem à porta do governo Lula em busca de apoio para sobreviver.
Taurus: de entusiasta de Trump ao desespero
A Taurus, gigante da indústria de armas, foi uma das primeiras a sentir o baque. Apenas em um dia, as ações da empresa despencaram 7%, o que representou uma perda de mais de R$ 33 milhões em valor de mercado. O CEO Salesio Nuhs, que há pouco celebrava o retorno de Trump, hoje corre para Brasília, buscando a ajuda do vice-presidente Geraldo Alckmin.
Nos bastidores, há inclusive a possibilidade de a companhia transferir parte da produção para os Estados Unidos. Isso porque quase 90% da produção da Taurus é destinada justamente ao mercado americano, agora encarecido com as tarifas.
Supermercados também mudam de tom
Outro setor que se apoiou fortemente no bolsonarismo, o supermercadista, elaborou um “plano emergencial” e entregou ao governo federal. Entre os pedidos, estava o incentivo ao crédito para segurar os preços e manter estoques. Parte das demandas já foi incorporada pelo pacote de socorro econômico anunciado pelo Planalto, numa clara demonstração de que, em tempos de crise, até antigos críticos de Lula enxergam nele a única saída.
Agronegócio prevê perdas bilionárias
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) fala em perdas de até US$ 5,8 bilhões nas exportações. A entidade, que sempre esteve próxima do bolsonarismo, agora clama por despolitização e pressiona o governo Lula por soluções rápidas para tentar reduzir os prejuízos.
Hipocrisia política exposta
O cenário é emblemático. Setores que, há pouco, batiam palmas para Trump e viam Lula como inimigo da economia, hoje buscam justamente no governo petista o fôlego para não naufragar. O episódio escancara como, quando o bolso aperta, a ideologia dá lugar à sobrevivência econômica.
Redação
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