Sinônimo de medo e terror, os serial killers voltaram ao imaginário da população após a prisão e condenação de Rildo Soares dos Santos, de 33 anos, responsável por uma série de crimes violentos em Rio Verde, no sudoeste goiano. De acordo com a Polícia Civil de Goiás (PCGO), o condenado praticou feminicídios e homicídios em sequência no município e também em outros estados do país.
Preso desde 12 de setembro, Rildo foi condenado a 133 anos de prisão pelos assassinatos de Elisângela Silva de Souza, Alexania Hermogenes Carneiro e Monara Pires Gouveia de Moraes. Os crimes ocorreram entre julho e setembro deste ano, e os julgamentos foram realizados em dezembro pelo Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO).
A condenação reacendeu o debate em torno de outros criminosos em série que marcaram o país, como Francisco de Assis Pereira, o “Maníaco do Parque”; José Vicente Matias, conhecido como “Corumbá”; e Tiago Henrique Gomes da Rocha, o “Maníaco de Goiânia”, considerado o maior serial killer brasileiro das últimas seis décadas.
Preso há mais de 20 anos, Francisco de Assis Pereira deve deixar a prisão em agosto de 2028, após cumprir 30 anos — pena máxima prevista na legislação vigente à época da condenação. Atualmente, a legislação permite até 40 anos de reclusão, limite aplicado aos casos de “Corumbá” e Tiago Henrique, que podem obter liberdade em 2038 e 2044, respectivamente.
A defesa de José Vicente Matias chegou a tentar antecipar a progressão de regime do criminoso, pleiteando a transferência do regime fechado para o semiaberto. Documentos sigilosos obtidos pela reportagem indicam que quatro pedidos foram protocolados em 2022, mas todos foram negados pela Justiça entre fevereiro de 2023 e novembro de 2024.
Segundo o juiz de Direito Jesseir Coelho, mesmo penas elevadas não impedem, automaticamente, a progressão de regime. “Ainda que as condenações sejam altas, o criminoso pode progredir do regime fechado para o semiaberto e, posteriormente, para o aberto, dependendo do caso concreto”, explica.
A possibilidade de retorno desses criminosos ao convívio social gera apreensão entre familiares das vítimas. Uigvan Filho, irmão de Ana Maria Victor Duarte — assassinada por Tiago Henrique em março de 2014, em Goiânia — afirma que a eventual soltura provoca medo e sensação de insegurança.
“Nós, familiares das vítimas, não vemos com bons olhos a liberdade de serial killers como Tiago Henrique ou Corumbá. Isso gera pânico e a sensação de que a sociedade fica refém dessas pessoas”, declarou.
Apesar disso, Uigvan acredita que a Justiça deve agir com cautela, como ocorreu no caso de Roberto Aparecido Alves Cardoso, o Champinha, mantido internado por laudos psiquiátricos. “Acredito que decisões futuras serão baseadas em perícias médicas e psicológicas, garantindo que esses criminosos permaneçam presos sempre que necessário”, reforçou.
O advogado criminalista e ex-delegado-geral da PCGO, Edmundo Dias, explica que serial killers são criminosos que cometem homicídios violentos em série, com intervalos entre os crimes — período conhecido como “esfriamento”.
Segundo ele, esses assassinos costumam agir com planejamento e estratégias para dificultar a ação policial. “São criminosos complexos, multifacetados, muitas vezes com algum tipo de psicopatologia associada a traumas anteriores. Costumam ser inteligentes, narcisistas e hábeis em ocultar provas”, explica.
Edmundo destaca ainda que o padrão de atuação — conhecido como modus operandi — é um dos principais indícios que levam a polícia a identificar um serial killer. “Eles repetem comportamentos, escolhem vítimas vulneráveis, acompanham as investigações e, muitas vezes, fazem confissões parciais para manipular o processo”, afirma.
Conhecido como o “Maníaco de Goiânia”, Tiago Henrique Gomes da Rocha foi preso em outubro de 2014 e confessou o assassinato de 39 pessoas, entre mulheres e moradores em situação de rua. Condenado a quase 700 anos de prisão, ele permanece detido em cela isolada no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia.
Entre janeiro e agosto de 2014, Tiago matou 16 pessoas em Goiânia. Ele agia de moto, abordando vítimas em locais públicos, pontos de ônibus, bares e até dentro de veículos parados em semáforos. O caso teve repercussão internacional.
José Vicente Matias, o “Corumbá”, confessou ter assassinado seis mulheres entre 1999 e 2005, em crimes marcados por extrema violência e rituais macabros. Em um dos julgamentos, admitiu ter bebido o sangue e ingerido o cérebro de uma turista alemã assassinada no Maranhão.
Diagnosticado com transtorno de personalidade antissocial, Corumbá foi condenado a 91 anos de prisão. Os crimes ocorreram, em sua maioria, em locais turísticos e envolveram vítimas estrangeiras.
Francisco de Assis Pereira ficou conhecido como o “Maníaco do Parque” após estuprar e matar mais de dez mulheres em São Paulo. O caso inspirou produções cinematográficas e voltou ao debate público diante da possibilidade de sua libertação em 2028, após cumprir a pena máxima prevista à época da condenação.
Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira
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