sábado , 7 março 2026

Sem transporte, sem tratamento: falhas da Saúde fazem idosa perder vaga no Crer em Aparecida de Goiânia

Pacientes de Aparecida de Goiânia que dependem do transporte oferecido pela Secretaria Municipal de Saúde denunciam falhas recorrentes no serviço, que têm comprometido a continuidade de tratamentos especializados. Um dos casos é o da aposentada Maria da Silva, de 66 anos, que perdeu a vaga no Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer) após não conseguir comparecer às sessões por falta de transporte.

Moradora do Parque Ibirapuera, Maria é cadeirante, possui invalidez permanente e era paciente do Crer desde 2012. Há mais de dois anos, utilizava o transporte disponibilizado pela Saúde municipal para realizar hidroterapia, fisioterapia, acompanhamento psiquiátrico e outros atendimentos essenciais para o controle da dor e manutenção da mobilidade. No entanto, atrasos frequentes e a indisponibilidade de veículos fizeram com que ela acumulasse faltas, resultando na exclusão automática do tratamento.

“Por chegar atrasada e por dizerem que não tinha carro disponível para me buscar, acabei acumulando três faltas e fui retirada do sistema. Agora preciso passar novamente por consulta com médico especialista do quadril para conseguir um novo encaminhamento, e a espera pode ser longa, mesmo eu sendo paciente antiga do Crer”, relatou ao Integração News.

Atualmente, Maria se locomove com o auxílio de um andador e utiliza uma sandália ortopédica de cinco centímetros. Segundo ela, a interrupção do tratamento agravou significativamente o quadro de saúde. “Estou sofrendo com dores e cãibras terríveis por falta dos exercícios”, afirmou.

Além das limitações físicas, a aposentada relata impactos emocionais. Ex-técnica em enfermagem, Maria faz acompanhamento psiquiátrico e psicológico em um Caps próximo de casa. “Imagina o psicológico de quem sempre trabalhou na saúde e hoje passa por isso. Mesmo assim, quando dá, preciso pagar Uber para não ficar sem atendimento”, desabafa.

Em nota, o Crer informou que, conforme protocolo institucional, o limite para continuidade do tratamento é de até três faltas consecutivas ou alternadas no mesmo mês. Caso esse número seja ultrapassado sem justificativa formal, o paciente recebe alta administrativa por absenteísmo. A unidade destacou ainda que situações específicas podem ser analisadas individualmente pelo Serviço Social.

Já a Secretaria Municipal de Saúde de Aparecida de Goiânia (SMS) informou ao Integração News que está reorganizando e revisando todos os agendamentos de transporte devido à grande e crescente demanda. Segundo a pasta, a prioridade é atender pessoas com necessidades especiais, dificuldades de locomoção e critérios sociais, e o objetivo é aprimorar o serviço no menor prazo possível.

Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira

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