sábado , 7 março 2026

Receita diz que ataque ao Pix fortaleceu o PCC

A Receita Federal fez um alerta contundente nesta semana: a campanha de desinformação contra a fiscalização do Pix e das fintechs acabou ajudando diretamente o crime organizado, em especial o Primeiro Comando da Capital (PCC).

O secretário especial da Receita, Robinson Barreirinhas, afirmou que a derrubada da instrução normativa que ampliava o monitoramento de bancos digitais e empresas financeiras foi um dos maiores golpes sofridos pela instituição em sua história. Segundo ele, as mentiras espalhadas nas redes sociais – entre elas o discurso de que a medida representaria uma “taxação do Pix” – criaram um ambiente perfeito para que facções criminosas movimentassem bilhões sem o devido controle.

O papel das fake news

A medida da Receita havia sido publicada em setembro de 2024 e entraria em vigor em janeiro de 2025. Mas, após a pressão de campanhas nas redes sociais, a norma foi revogada. Um dos vídeos que mais viralizaram contra a fiscalização foi o do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que alcançou milhões de visualizações.

Sem citar diretamente o parlamentar, Barreirinhas disse que a ofensiva digital contra a Receita se transformou em um “ataque de proporções históricas” e deixou o Estado de mãos atadas diante da “bancarização do crime organizado”.

Bancos paralelos do PCC

Dados da Receita mostram que o PCC utilizou fintechs e fundos de investimento como verdadeiros bancos paralelos, lavando dinheiro e dificultando o rastreamento das operações ilícitas. Estima-se que cerca de 1.000 estabelecimentos ligados à facção movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024.

Uma das empresas citadas foi a BK Bank, apontada como peça-chave no esquema, movimentando sozinha R$ 46 bilhões no período. A Polícia Federal já havia identificado mais de R$ 68 milhões circulando em contas da fintech apenas entre 2020 e 2025.

Conflito político

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também se manifestou, dizendo que um deputado — sem mencionar nomes — teria ajudado o crime organizado ao espalhar mentiras sobre a fiscalização do Pix. A fala foi vista como uma referência direta a Nikolas Ferreira, que reagiu prometendo processar o presidente por difamação.

Enquanto isso, a Receita insiste que a revogação da norma enfraqueceu a capacidade do Estado de enfrentar facções criminosas e reforça que a desinformação tem consequências concretas para a segurança e para a sociedade.

Redação

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