sábado , 7 março 2026

Quebra de sigilo de “Lulinha” aprovada em CPI do INSS provoca tumulto, acusações de fraude e confronto entre parlamentares

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do INSS aprovou, nesta quinta-feira (26), a quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido no meio político como “Lulinha”, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT).

A votação desencadeou uma forte confusão entre parlamentares. Durante o tumulto, o deputado Luiz Lima (Partido Novo-RJ) afirmou ter sido atingido por socos. Já o deputado Rogério Correia (PT-MG) disse que o contato ocorreu de forma não intencional, após ser empurrado, e pediu desculpas.

A sessão foi suspensa por causa do confronto. Ao ser retomada, o deputado federal Paulo Pimenta (PT) afirmou que solicitará ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a anulação da votação por suposta quebra do regimento. Ele também anunciou que pretende acionar o Conselho de Ética contra o presidente da CPI, Carlos Viana (Podemos-MG), acusando-o de fraudar o resultado.

Viana rejeitou o pedido e afirmou que a votação seguiu as regras. Segundo ele, o governo compareceu à sessão com a intenção de “blindar toda a pauta” e não obteve votos suficientes. O senador declarou que havia quórum de 31 parlamentares, sendo que o governo teria reunido apenas 14 votos — abaixo da maioria necessária.

“Ninguém saiu machucado. Governo e oposição têm direito de se manifestar, mas o que vale é o voto. No voto, o governo perdeu”, afirmou o presidente da CPI, que comemorou a aprovação das medidas e disse que a decisão representa avanço nas investigações.

Já o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), classificou o episódio como “tentativa de golpe” e acusou a comissão de conduzir uma investigação seletiva. Ele alegou que pedidos do PT para investigar o Banco de Brasília (BRB), pessoas ligadas aos políticos Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Romeu Zema (Novo), entre outros, não foram incluídos na pauta.

Parlamentares governistas também afirmam que havia apenas 21 congressistas presentes no momento da votação e que 14 votaram contra as quebras de sigilo, citando imagens da TV Senado como prova. Randolfe afirmou que houve fraude no resultado.

O requerimento que levou à quebra de sigilo foi apresentado pelo relator da CPI, o deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL). Ele aponta supostos pagamentos envolvendo um dirigente petista e transferências financeiras que teriam ligação com o contador de Fábio Luís.

Gaspar também citou mensagens interceptadas envolvendo o lobista Antônio Camilo, conhecido como “Careca do INSS”, que teria indicado que um repasse de R$ 300 mil feito à empresa de Roberta Luchsinger — apontada como amiga de Lulinha — seria destinado ao “filho do rapaz”. Segundo o parlamentar, a Polícia Federal considera a referência direta a Fábio Luís, sugerindo intermediação financeira em supostas vantagens indevidas.

A CPI também aprovou a convocação de Gustavo Gaspar, ex-assessor do senador Weverton Rocha (Partido Democrático Trabalhista-MA), preso em investigação sobre desvios em aposentadorias do INSS. Ele teria assinado procuração para movimentação de contas bancárias entregue a Rubens Oliveira, apontado como operador dos descontos irregulares.

Também foram aprovados pedidos de convocação de Augusto Lima, ex-sócio do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, além da produção de relatórios de inteligência financeira e da quebra de sigilo de empresas ligadas à instituição.

Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira

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