sábado , 7 março 2026

Projeto de Anistia enfrenta entraves e pode parar no STF

O projeto que busca conceder anistia a condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, enfrenta um caminho cheio de obstáculos em Brasília. A proposta, defendida por aliados da oposição, deve esbarrar em barreiras políticas no Congresso, resistência jurídica e até em um possível veto presidencial.

Na Câmara, mesmo com a pressão do PL e de partidos próximos ao ex-presidente, há divisões internas no Centrão, especialmente no PP, PSD e MDB. No Senado, o cenário é ainda mais delicado: a oposição reúne cerca de 30 dos 81 parlamentares, número insuficiente para avançar. O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Davi Alcolumbre, já sinalizou que não pretende pautar o texto.

O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), reforçou a dificuldade: “Não há ambiente na Casa para que um projeto dessa natureza prospere”.

Mesmo que a proposta avance, a expectativa é de veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para derrubar o veto, seriam necessários 257 votos na Câmara e 41 no Senado – um desafio considerado praticamente impossível diante das divisões internas.

Além disso, especialistas apontam que a medida esbarra na Constituição. O Supremo Tribunal Federal (STF) já se posicionou nesse sentido quando derrubou o indulto concedido a Daniel Silveira, em 2023, por entender que atos contra o Estado Democrático de Direito não podem ser perdoados.

O líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), admitiu que a discussão sobre a anistia deve ser adiada até a conclusão do julgamento da ação penal que envolve Bolsonaro e outros acusados. Esse julgamento deve avançar já na próxima semana no STF.

Enquanto isso, a Câmara deve manter uma agenda considerada mais leve, com votações remotas, conforme antecipou o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Na base governista, parlamentares querem transformar o debate em um confronto direto de narrativas. Já se fala em chamar a proposta de “projeto da impunidade”, para pressionar a opinião pública contra a medida.

Com resistências políticas, barreiras jurídicas e o fantasma de um veto presidencial, o projeto de anistia corre sério risco de não prosperar. A expectativa agora é pelo posicionamento do STF na próxima semana, que deve influenciar diretamente os rumos da discussão no Congresso.

Redação

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