Um episódio de violência contra a liberdade de imprensa marcou a manhã deste domingo (17/08) em Macapá. Durante uma vistoria às obras do Hospital Municipal da Zona Norte, o prefeito Antônio Paulo de Oliveira Furlan (MDB), conhecido como Dr. Furlan, foi flagrado em vídeo agredindo o jornalista Heverson Castro, após ser questionado sobre os atrasos no cronograma da construção.
Nas imagens, que circulam nas redes sociais, o repórter aparece fazendo uma pergunta simples: “Está demorando ou está dentro do prazo a obra?”. Irritado, o prefeito afasta o microfone e, em seguida, parte para cima de outro homem que acompanhava a cobertura, chegando a aplicar um mata-leão em plena frente de câmeras e testemunhas.
O jornalista, visivelmente abalado, declarou que apenas cumpria seu papel de cobrar informações de interesse público. “Ele fez uma pergunta normal. A gente não está bagunçando. Somos imprensa”, afirmou. Heverson relatou ainda que também teria sido agredido por seguranças que acompanhavam o chefe do Executivo.
Prefeitura tenta justificar
Em nota oficial, a Prefeitura de Macapá alegou que o prefeito foi alvo de “agressões verbais e tentativas de agressão física” por parte do jornalista e de dois outros indivíduos, identificados como Marshal e Iran Froes. O comunicado afirma ainda que duas servidoras municipais teriam sido agredidas e registraram ocorrência na Delegacia da Mulher.
Apesar da versão divulgada, as imagens repercutiram de forma negativa, provocando forte indignação entre jornalistas, entidades de classe e cidadãos que defendem o direito à informação.
Liberdade de imprensa em xeque
O caso reacende o debate sobre os ataques sofridos por profissionais de imprensa no Brasil. Para especialistas, episódios como este demonstram não apenas despreparo, mas também intolerância de gestores públicos diante de questionamentos legítimos.
Agora, a expectativa é de que a Polícia Civil do Amapá e o Ministério Público acompanhem o caso para avaliar possíveis responsabilizações. Enquanto isso, o episódio coloca o prefeito Furlan no centro de uma crise política e moral que pode manchar sua gestão.
Redação
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