A Polícia Civil de São Paulo investiga uma nova hipótese que pode explicar os recentes casos de intoxicação por metanol que já resultaram em mortes no país. De acordo com as apurações, quadrilhas especializadas na falsificação de bebidas alcoólicas estariam utilizando a substância tóxica para higienizar garrafas recicladas em fábricas clandestinas.
As garrafas, recolhidas em bares e restaurantes, seriam reutilizadas após a aplicação de metanol para a limpeza. O problema é que, caso a higienização não seja feita de forma adequada, resíduos do produto podem permanecer nas embalagens e contaminar os destilados — como vodca, uísque e gin — que voltam a circular no mercado de forma fraudulenta.
Outra linha de investigação também considera que o metanol poderia ter sido usado para adulterar diretamente as bebidas, aumentando o volume dos frascos ou “reforçando” o teor alcoólico de forma criminosa.
De acordo com dados oficiais, o número de fábricas clandestinas de bebidas interditadas no Brasil disparou nos últimos anos: eram 12 em 2020, saltando para 80 em 2024. Esse crescimento evidencia o avanço do mercado paralelo, que coloca em risco a saúde de milhares de consumidores.
Diante da gravidade do caso, o Ministério da Saúde anunciou a compra emergencial de antídotos específicos para tratar intoxicações por metanol, como o fomepizol, além de reforçar os protocolos de atendimento hospitalar.
No Congresso, um projeto de lei avança para classificar a adulteração de bebidas e alimentos como crime hediondo, o que aumentaria o rigor das penas contra falsificadores e responsáveis por esquemas de envenenamento em larga escala.
O metanol, também conhecido como álcool metílico, é altamente tóxico. Quando ingerido, pode causar náuseas, vômitos, convulsões, cegueira e até a morte, dependendo da quantidade consumida. Diferente do etanol (presente nas bebidas convencionais), o metanol se transforma no organismo em substâncias extremamente prejudiciais, como o formaldeído e o ácido fórmico.
A Polícia alerta a população para redobrar os cuidados ao adquirir bebidas alcoólicas, especialmente destilados. Recomenda-se verificar a procedência, selo de fiscalização, tampas lacradas e embalagens originais. Desconfie de preços muito abaixo do mercado ou produtos vendidos em locais sem registro.
Redação
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