sábado , 7 março 2026

PF descobre pedido de asilo de Bolsonaro a Milei em meio às investigações por tentativa de golpe

A Polícia Federal encontrou no celular do ex-presidente Jair Bolsonaro um documento de 33 páginas redigido em primeira pessoa, no qual ele pede asilo político ao presidente da Argentina, Javier Milei. O arquivo foi salvo em fevereiro de 2024, poucos dias após a apreensão de seu passaporte, e reforça a tese de que Bolsonaro pretendia deixar o Brasil para escapar das investigações sobre tentativa de golpe de Estado.

A investigação da Operação Tempus Veritatis ganhou um novo capítulo explosivo. Conforme relatório da Polícia Federal, um arquivo digital foi localizado no celular do ex-presidente Jair Bolsonaro, contendo um pedido formal de asilo político dirigido ao presidente da Argentina, Javier Milei.

O documento, com 33 páginas, foi salvo em 10 de fevereiro de 2024, apenas dois dias após a PF apreender o passaporte de Bolsonaro. Nele, o ex-presidente se descreve como um “perseguido político” e afirma que necessitava de proteção internacional “em regime de urgência”.

Em um dos trechos, Bolsonaro escreve:

“De início, devo dizer que sou, em meu país de origem, perseguido por motivos e por delitos essencialmente políticos…”

A Polícia Federal identificou ainda que o texto foi criado e editado a partir do perfil de Fernanda Bolsonaro, nora do ex-presidente. Apesar disso, o documento não está assinado e não há comprovação de que tenha sido enviado formalmente ao governo argentino. Fontes oficiais da Casa Rosada afirmam que nenhum pedido oficial foi recebido.

A descoberta ocorre em meio ao avanço do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), que analisa a participação de Bolsonaro na suposta tentativa de golpe para se manter no poder após as eleições de 2022. O julgamento deve ocorrer entre os dias 2 e 12 de setembro de 2025, e, caso seja condenado, o ex-presidente pode pegar até 40 anos de prisão.

Além do episódio do pedido de asilo à Argentina, Bolsonaro também foi flagrado hospedado na Embaixada da Hungria em Brasília, logo após ter seu passaporte retido. A estadia foi interpretada pelos investigadores como mais uma tentativa de buscar refúgio diplomático.

A revelação do documento aumenta a pressão sobre o ex-presidente e seus aliados, ao reforçar a tese da PF de que Bolsonaro não apenas conspirou contra a democracia, mas também planejou rotas de fuga internacionais para evitar eventual prisão em solo brasileiro.

O caso segue em análise pelo Supremo, mas já alimenta intensos debates políticos e expõe, mais uma vez, o delicado momento vivido pelo país no enfrentamento de crimes contra a ordem democrática.

Redação

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