sábado , 7 março 2026

Paulinho da Força descarta anistia ampla e propõe reduzir penas do 8 de janeiro

O relator do projeto de anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), declarou que uma anistia ampla, geral e irrestrita é “impossível”. Em entrevista, o parlamentar afirmou que a solução em debate não agradará nem à extrema-direita, que pede perdão total, nem à esquerda, que exige punição máxima, mas que pretende construir um texto capaz de garantir apoio da maioria no Congresso.

Segundo Paulinho, o projeto deve prever redução das penas em vez de perdão completo. A expectativa é que a proposta seja votada já na próxima semana, em articulação com o Senado.

  • Redução de penas:

    • Crime de abolição violenta do Estado democrático de Direito: de 4 a 8 anos para algo entre 2 a 6 anos.

    • Crime de golpe de Estado: de 4 a 12 anos para algo como 2 a 8 anos.

  • Fim do acúmulo de penas: os dois crimes não seriam mais somados, ficando apenas a condenação pelo mais grave.

  • Participação em multidão: só haverá punição para quem tiver atuado de forma comprovada em conluio com articuladores do golpe ou com intenção clara de depredar e organizar ataques.

  • Impacto em condenações já definidas: até o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo STF, poderia ver parte de sua pena reduzida e pedir reconsideração.

O relator insiste que a medida busca “pacificar o país” e evitar que milhares de pessoas continuem presas ou com penas consideradas desproporcionais. “Precisamos convencer o STF de que a solução passa por reduzir tensões”, afirmou.

O texto, no entanto, deve enfrentar resistência:

  • Bolsonaristas querem perdão total.

  • Parlamentares da esquerda pressionam para manter punições severas como forma de exemplo contra novas tentativas de golpe.

  • Juristas alertam para o risco de a proposta ser questionada no Supremo.

Ainda assim, Paulinho da Força acredita que há espaço para um acordo político que, mesmo sem agradar a todos, permita virar a página da crise.

Redação

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