Pacientes internados no Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), em Goiânia, denunciam a falta de lençóis, cobertores, toalhas e roupas hospitalares. Segundo relatos feitos ao Integração News nesta quarta-feira (28), o problema não é recente e tem levado pacientes a retornarem aos leitos após o banho ou até mesmo no pós-operatório sem a troca adequada do enxoval, permanecendo em camas sujas de suor, urina e secreções.
Uma enfermeira da unidade afirma que a empresa responsável pela rouparia não consegue suprir a demanda do hospital. Com isso, pacientes acabam sendo recolocados em leitos sem a devida substituição das roupas de cama. O Hugol também não permite que familiares levem enxovais de casa para uso próprio. Segundo a profissional, trata-se de um “problema geral” que afeta outras unidades de saúde. Ela explica ainda que o serviço é terceirizado e atende diversos hospitais, o que, na avaliação de servidores, compromete o abastecimento regular do Hugol.
Funcionários relatam que a unidade enfrenta um processo de rompimento contratual com a empresa fornecedora de rouparia, motivado pela incapacidade de entrega da quantidade necessária de enxoval. A situação teria se agravado durante o período de transição para a contratação de uma nova empresa. De acordo com os servidores, o contrato com a fornecedora alvo de críticas foi renovado recentemente por mais três meses.
Uma funcionária afirma que o problema persiste há mais de um ano. Segundo ela, há casos em que pacientes permanecem até três dias utilizando a mesma roupa hospitalar. A profissional também relata que a equipe de enfermagem tem sido pressionada a buscar as peças diretamente na rouparia e a forrar os leitos por conta própria.
Além dos servidores, acompanhantes também denunciam a situação. Um deles relata que o tio, internado há mais de um mês para tratar uma infecção cirúrgica, enfrenta diariamente a falta de lençóis, cobertores e toalhas. Segundo ele, pacientes ficam sem roupas hospitalares adequadas. “Cansei de ver cortarem lençóis mais antigos para improvisar toalhas”, afirma.
“Hoje [quarta-feira], a enfermeira entrou no quarto e disse: ‘Pessoal, hoje não vamos trocar a roupa de cama de ninguém, infelizmente não temos nenhuma roupa de cama. Peço que tomem banho e vistam a roupa de vocês mesmos’”, contou o acompanhante ao Integração News.
Outra acompanhante, de um paciente atendido na área de observação, descreve situações consideradas humilhantes. Segundo ela, o marido, com mobilidade reduzida, não conseguia se levantar para ir ao banheiro e precisou reutilizar roupas molhadas de urina por falta de peças limpas. “Falei que isso era impossível, que não existia, e a enfermeira respondeu que não havia mais roupas disponíveis”, relatou.
Em outro episódio, o paciente permaneceu por horas deitado diretamente sobre o colchonete da maca, sem lençol, devido à escassez de material. Ela também afirma que macas estavam em más condições de higiene e que outros pacientes, incluindo idosos e uma criança, receberam cobertores molhados, mesmo reclamando do frio intenso no ambiente climatizado.
Em nota enviada ao Integração News, o Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol) informou que, em razão da alta demanda assistencial e do aumento no fluxo de internações, especialmente em períodos de superlotação, podem ocorrer “ajustes pontuais no processo de troca de enxovais em alguns setores da unidade”.
A direção afirmou ainda que a equipe de hotelaria hospitalar atua de forma contínua para garantir o abastecimento adequado dos leitos, com monitoramento diário dos estoques e reforço na distribuição sempre que necessário.
Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira
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