sábado , 7 março 2026

Operação desmantela quadrilha do agro que movimentou R$ 120 milhões em 10 estados

A Polícia Civil de Goiás deflagrou nesta terça-feira (8) uma megaoperação que mirou uma das maiores organizações criminosas ligadas a fraudes no agronegócio dos últimos anos. Batizada de “Operação Agrofraude”, a ação cumpriu 81 mandados judiciais — entre prisões, buscas e bloqueios de bens — em nove estados e no Distrito Federal, desarticulando um esquema que teria movimentado mais de R$ 120 milhões em cinco anos.

De acordo com as investigações do Grupo Especial de Investigações Criminais (GEIC), sediado em Rio Verde (GO), o grupo aplicava o chamado “golpe do falso intermediário”, enganando produtores rurais e corretores de grãos.

O esquema funcionava de forma engenhosa: os criminosos se passavam por compradores ou vendedores legítimos de milho e soja, obtendo fotos, vídeos e informações verdadeiras sobre os produtos. Em seguida, se apresentavam a outros corretores como os donos da mercadoria e fechavam negócios falsos.

Com isso, as vítimas faziam transferências bancárias para contas controladas pelos golpistas — que sumiam logo após receber o dinheiro.

As investigações revelam que os principais articuladores do esquema operavam a partir de Cuiabá e Várzea Grande (MT), mas as fraudes se espalharam por dez unidades da federação, incluindo Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Amazonas, Acre, Piauí e o Distrito Federal.

Em Rio Verde (GO), pelo menos 10 vítimas já foram identificadas, com prejuízos que ultrapassam R$ 1 milhão apenas na região.

Segundo o delegado responsável, o esquema envolvia mais de 40 pessoas, cada uma com uma função específica: operadores financeiros, intermediadores virtuais e responsáveis por criar empresas de fachada usadas para lavar o dinheiro obtido com os golpes.

Durante o cumprimento dos mandados, a polícia apreendeu veículos de luxo, eletrônicos, documentos falsos e comprovantes bancários que devem ajudar no rastreamento dos valores desviados.

A Justiça também determinou o bloqueio de contas e o sequestro de bens ligados aos investigados, que agora responderão por estelionato qualificado, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

O delegado regional destacou a importância da ação coordenada:

“Essa operação demonstra o alcance das fraudes digitais no setor do agronegócio e o quanto Goiás tem se tornado referência nacional no combate a esse tipo de crime”, afirmou.

A investigação segue em andamento e deve resultar em novas prisões nas próximas semanas. O objetivo é recuperar parte dos valores desviados e alertar o setor produtivo sobre os riscos de negociações virtuais sem a devida verificação.

A Polícia Civil reforça a orientação para que produtores e corretores confirmem sempre a identidade e a origem dos compradores e vendedores antes de qualquer transação, especialmente em negociações intermediadas por aplicativos ou redes sociais.

Redação

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