sábado , 7 março 2026

Nos EUA, comunidade só para brancos e heterossexuais expõe ameaça de segregação

Um grupo de homens no Arkansas, Estados Unidos, criou uma comunidade destinada exclusivamente a pessoas brancas e heterossexuais. O projeto, chamado Return to the Land, já atraiu dezenas de moradores e centenas de interessados, levantando acusações de segregação racial e desencadeando investigações do Departamento de Justiça norte-americano.

No coração das montanhas Ozark, no Arkansas, agricultores e ativistas de extrema-direita deram início a uma comunidade privada batizada de Return to the Land (Retorno à Terra). A proposta é clara: aceitar apenas moradores brancos, heterossexuais e de “valores tradicionais”.

O processo seletivo para novos membros é rígido. Envolve entrevistas presenciais, verificação de antecedentes, análise de ancestralidade e até mesmo a checagem de fotos de familiares. Eric Orwoll, um dos fundadores, declarou que “ver alguém que não se apresenta como branco pode nos levar a não admitir essa pessoa”.

Além das declarações polêmicas, a comunidade exibe símbolos supremacistas, como o código “1488”, associado ao nazismo. A estrutura conta com casas simples, cercas, escola e até poços próprios, configurando uma verdadeira fortaleza rural.

A repercussão foi imediata. O procurador-geral do Arkansas, Tim Griffin, abriu investigação para apurar violações da Lei de Moradia Justa (1968) e da Lei de Direitos Civis (1866), que proíbem a segregação racial em habitação. O Departamento de Justiça dos EUA também acompanha o caso.

Mesmo sob críticas, os organizadores já arrecadaram mais de US$ 500 mil em doações e planejam expandir o modelo para outros estados. Para especialistas em direitos civis, a comunidade não é apenas uma afronta às leis, mas também um alerta para a escalada de movimentos extremistas no país.

“Estamos diante de um retrocesso histórico. Criar uma comunidade ‘só para brancos’ é repetir a lógica do apartheid e do nazismo em pleno século XXI”, afirmou um porta-voz da União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU).

A polêmica coloca em xeque até que ponto os EUA, país marcado pela diversidade, estão preparados para conter iniciativas que ressuscitam ideais de ódio e segregação.

Redação

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