Uma mulher de 43 anos passou por momentos de terror na tarde deste domingo (2/11), ao ser vítima de uma tentativa de internação forçada em uma clínica de reabilitação em Goiânia, em um caso que está sendo investigado como sequestro. Segundo relatos da própria vítima, a ação teria sido planejada pelo pai dela, motivada por uma disputa familiar envolvendo a herança deixada pela avó.
Ao ser resgatada pela Polícia Militar, a mulher contou que foi agredida pelo pai antes de ser levada por três homens para um veículo. “Ele disse que eu era louca e perigosa e me agrediu com três murros”, relatou. Os três homens, que seriam funcionários do estabelecimento localizado no Jardim Privê das Oliveiras, foram presos em flagrante.
A vítima explicou que havia recebido recentemente a parte principal de um imóvel com várias quitinetes no Setor Bueno, deixada pela avó, o que gerou revolta na família. O pai também está envolvido em conflitos com outros irmãos sobre a venda da propriedade. O desentendimento chegou ao ápice no domingo, quando a mulher ligou para o pai, dizendo sentir saudade dos filhos, que moram com ele.
Segundo a vítima, o pai respondeu: “Não, eu vou aí buscar você para ver as crianças”. Ao chegar à casa dela, ele alegou ter interpretado a ligação como uma ameaça e anunciou que ela seria internada imediatamente. Três homens entraram na residência, imobilizando a mulher enquanto ela almoçava. Ela relatou ainda que foi enforcada e teve objetos quebrados em suas mãos, enquanto o pai justificava a ação: “Ela era louca e perigosa”.
A mulher contou que os socos do pai atingiram sua testa, deixando-a desnorteada e com forte dor de cabeça. Ao tentar entender o que estava acontecendo, ouviu de um dos homens: “Não, a gente não é da clínica, a gente só leva!”. “Eu não fiz nada. Estava em casa, preparando comida para o meu pai. Saí de casa humilhada, na frente de vizinhos”, desabafou.
A Polícia Civil investiga a participação do pai e se a clínica aceitou realizar a internação sem autorização judicial, além de apurar os detalhes do plano que colocou a vítima em risco físico e emocional.
Conforme áudios obtidos pela Polícia Militar, a tentativa de internação foi organizada por um representante da clínica contratada pelo pai da mulher. No áudio, ele detalha como conter a vítima e ainda informa os valores combinados: “É 400 da remoção e 1.600 da matrícula.”
A Polícia Militar dos batalhões do 45º BPM (Aparecida de Goiânia) e do 7º BPM (Jardim Europa) foi acionada e conseguiu interceptar a vítima e os três homens na GO-040, no Setor Garavelo. Os suspeitos foram autuados por sequestro e cárcere privado.
Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira
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