Um delegado da Polícia Civil de Goiás e sua esposa estão no centro de uma das maiores investigações recentes sobre desvio de recursos públicos no estado. A acusação: liderar um esquema que teria desviado mais de R$ 2,2 milhões de contratos com escolas estaduais de Rio Verde, segundo o Ministério Público de Goiás (MP-GO).
A investigação revelou que, desde 2020, pelo menos 40 contratos sem licitação foram celebrados de forma fraudulenta, envolvendo reformas escolares, impressão de material didático e até concurso público realizado pela Câmara de Vereadores de Rio Verde. Todos esses contratos beneficiariam um instituto ligado ao delegado investigado.
Na manhã desta quinta-feira (21/8/2025), a chamada Operação Regra Três sacudiu o interior do estado. Foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão em Rio Verde e Goiânia, além de um mandado de prisão. O MP-GO também determinou o bloqueio de contas bancárias e a apreensão de bens dos envolvidos, numa tentativa de recuperar os valores desviados.
O peso da suspeita
A denúncia é ainda mais grave por envolver um servidor público que deveria defender a lei. O delegado já tinha histórico de suspeitas: em 2015, foi afastado do cargo após ser acusado de cobrar R$ 10 mil de um fazendeiro em troca da devolução de gado roubado. Na época, ele alegou ter usado o dinheiro para “melhorar a delegacia”.
Agora, o que antes parecia um episódio isolado, ganha contornos de um esquema muito maior e mais sofisticado.
Estrutura da operação
A operação foi marcada por uma força-tarefa inédita. Participaram 19 promotores de Justiça, mais de 20 servidores do MP e cerca de 80 policiais e agentes de segurança. Foi também a primeira grande ação do Gaeco Sul, criado em 2024 para enfrentar o crime organizado no interior do estado.
O nome dos investigados não foi oficialmente divulgado. Até o fechamento desta reportagem, a defesa do casal não havia sido localizada.
A verdade que não pode ser escondida
O que chama a atenção é a frieza com que um esquema como esse se instala em áreas essenciais, como a educação. Cada real desviado representa menos salas reformadas, menos material para os alunos e menos qualidade no ensino público.
Enquanto a população sofre com escolas sucateadas, servidores e empresários de fachada parecem enriquecer sem limites. É a prova de que a corrupção, quando não é combatida, transforma a esperança da comunidade em números de uma conta bancária.
Redação
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