O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, deu um prazo de 48 horas para que a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro esclareça a existência de um documento com pedido de asilo político à Argentina, encontrado pela Polícia Federal em seu celular.
Segundo a investigação, trata-se de um rascunho de 33 páginas, sem data e sem assinatura, salvo no aparelho desde fevereiro de 2024, logo após a deflagração da Operação Tempus Veritatis, que mirou uma organização criminosa acusada de tentar um golpe de Estado no Brasil. O material, na avaliação da PF, revela risco de fuga do ex-presidente.
Descumprimento de medidas cautelares
No despacho, Moraes destacou que Bolsonaro já descumpriu medidas cautelares impostas anteriormente, como a proibição de contato com outros investigados e o uso restrito das redes sociais, o que reforça a suspeita de que poderia tentar se evadir do país.
O ministro também mencionou que a suposta tentativa de asilo se soma a esses descumprimentos, criando um quadro de “risco concreto de evasão”.
PGR decidirá próximos passos
Após a apresentação da defesa, a Procuradoria-Geral da República (PGR) vai analisar os argumentos e decidir se oferece denúncia ao STF contra Bolsonaro e seu filho Eduardo Bolsonaro, que também é investigado no mesmo inquérito.
Governo argentino nega pedido formal
Embora o documento tenha sido encontrado pela PF, até o momento não há registro de que um pedido oficial de asilo tenha sido enviado ao governo da Argentina. Fontes diplomáticas confirmam que o material nunca chegou às autoridades argentinas.
Contexto político e jurídico
Bolsonaro cumpre atualmente medidas cautelares determinadas pelo STF e responde a diversas investigações que apuram seu envolvimento em articulações golpistas. O episódio do pedido de asilo reforça as tensões jurídicas e políticas em torno do ex-presidente, que já enfrenta forte pressão de setores do Judiciário e do Ministério Público.
Redação
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