sábado , 7 março 2026

Material escolar tem alta expressiva e pesa no bolso das famílias em Goiânia

Uma borracha que custava pouco mais de R$ 1 no ano passado agora chega perto de R$ 5. Um estojo simples pode ultrapassar R$ 90 e um lápis comum pode apresentar variação superior a 800% entre uma loja e outra. Os dados são de uma pesquisa comparativa de preços realizada pelo Procon Goiás em 14 estabelecimentos de Goiânia, que ajuda a explicar por que a volta às aulas tem se tornado cada vez mais cara para as famílias.

A realidade é sentida de perto pela jornalista e gastrônoma Bruna Lima, mãe de um menino de 4 anos que está na educação infantil. Segundo ela, os gastos aumentaram significativamente em relação ao ano passado.

“Este ano, gastei cerca de R$ 450 em material e mais R$ 1,1 mil em livros. Foi mais caro que no ano passado. Só consegui economizar nos livros porque troquei meu filho de escola. Optei por marcas mais baratas e reaproveitei o que foi possível, como estojo, pasta, mochila e alguns livros. A gente tenta economizar onde dá”, relata.

A situação se agrava para famílias com mais de um estudante. A gastrônoma Karla Lobato, mãe de um menino de oito anos, que cursará o 3º ano do ensino fundamental, e de uma adolescente de 13 anos, que iniciará o 8º ano, afirma que o impacto financeiro é elevado.

“Os livros são um custo exorbitante à parte. Para ele, deu cerca de R$ 2 mil, e para ela, o dobro. Pelo menos existe a opção de parcelar no cartão ao longo do ano”, explica. Além disso, Karla estima ter gasto cerca de R$ 700 em material básico para cada filho, mesmo reaproveitando itens. “Não comprei mochila, lancheira e estojo este ano. Reaproveitei tudo do ano anterior.”

A experiência das mães reflete os resultados da pesquisa do Procon Goiás, que analisou os preços de 73 itens escolares em papelarias de diferentes regiões da capital, entre os dias 23 e 30 de dezembro de 2025. O levantamento identificou variações extremas entre o menor e o maior preço de um mesmo produto.

O maior exemplo foi o lápis preto nº 2 (Bic Evolution), encontrado por R$ 0,80 em uma loja e por R$ 7,30 em outra, o que representa uma variação de 812,5%. Itens como cola, apontador, borracha e lapiseira também apresentaram oscilações superiores a 500%.

Com base nos dados do Procon, o Integração News simulou o custo de uma lista básica com itens comuns do dia a dia escolar, como lápis, borracha, apontador, lápis de cor, caderno, pasta, cola, tesoura, papel e duas canetas. Se a compra for feita pelos maiores preços encontrados, o valor chega a R$ 91,25. Já optando pelos menores preços, o total cai para R$ 38,95 — uma diferença superior a R$ 52 para os mesmos produtos.

Para economizar, a principal orientação do Procon é pesquisar preços, estratégia adotada pelas famílias. “Optei por marcas de segunda linha porque a diferença para as mais conhecidas era muito grande. Se você não pesquisa e não gasta tempo, acaba pagando bem mais caro”, afirma Karla.

Bruna reforça a importância da comparação. “Pesquise bastante, até pelo telefone. Peça orçamentos, compare preços e, se puder, compre à vista para tentar desconto. No final, isso faz diferença.”

Outro ponto destacado pelo Procon é a localização das papelarias. O levantamento mostra que lojas situadas nos setores Bueno e Oeste concentram, em geral, os preços mais elevados. Já regiões como Campinas, Setor Central e Jardim Guanabara aparecem com mais frequência entre os menores valores encontrados.

O órgão também lembra que as escolas não podem exigir marcas específicas nem indicar estabelecimentos obrigatórios. Além disso, itens de uso coletivo, como materiais de limpeza, escritório ou higiene, não devem constar na lista escolar.

Para Karla, evitar compras por impulso é fundamental. “Não levem crianças às lojas. Elas acabam escolhendo produtos com personagens, que encarecem muito. Pesquisar dá trabalho, mas compensa. No fim, a diferença é grande, principalmente para quem tem mais de um filho”, conclui.

Redação: Integração News
Jornalista: João Pedro Lira

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